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Pragmatismo não deve salvar Lula dos problemas que terá com Trump na Casa Branca
Apesar disso, a avaliação dentro do Palácio do Planalto é de que a vitória do republicano deve ter impactos em diversos campos no Brasil
Gazeta do Povo
8 de novembro de 2024
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Pragmatismo não deve salvar Lula dos problemas que terá com Trump na Casa Branca
Apesar disso, a avaliação dentro do Palácio do Planalto é de que a vitória do republicano deve ter impactos em diversos campos no Brasil
Gazeta do Povo
8 de novembro de 2024
Logo após a vitória de Donald Trump, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seus aliados passaram a defender que a partir do ano que vem a relação com os Estados Unidos da América (EUA) seja marcada pelo pragmatismo. Apesar disso, a avaliação dentro do Palácio do Planalto é de que a vitória do republicano deve ter impactos em diversos campos no Brasil.
No campo das relações entre os dois países, o Palácio do Itamaraty acompanha a partir de agora as movimentações sobre as escolhas do secretariado que será montado por Trump. A diplomacia brasileira acredita que, a partir dos perfis que forem apresentados pelo presidente eleito, será possível avaliar o estilo de governo que será adotado a partir do ano que vem.
Um dos nomes cotados na imprensa internacional para assumir a secretaria de Estado no governo Trump é o do senador republicano Bill Hagerty, que no ano passado cobrou o presidente americano Joe Biden por ele não ter aplicado sanções ao Brasil quando Lula permitiu que dois navios de guerra iranianos, alvos de sanções pelos EUA, atracassem no porto do Rio de Janeiro em fevereiro de 2023. Nesse cenário, os Estados Unidos podem passar a adotar uma postura mais incisiva contra os acenos de Lula ao Irã.
Durante a campanha eleitoral norte-americana, o Ministério das Relações Exteriores já vinha mantendo contato com a equipe de Trump. Em 2023, as exportações brasileiras ao território norte-americano somaram US$ 36,9 bilhões. O país é o segundo maior parceiro do Brasil na troca de bens — atrás apenas da China, e uma eventual adesão do Brasil à Nova Rota da Seda da China também pode gerar atritos na relação com os Estados Unidos.
Depois de Lula ter sugerido que Trump na Casa Branca significava a volta do “fascismo e nazismo com outra cara” e de ter apoiado a democrata Kamala Harris, o governo passou a adotar cautela e avalia quais serão os impactos direto na política nacional com a mudança de comando na Casa Branca. Depois de reconhecer a vitória do republicano através de uma publicação nas redes sociais, o presidente brasileiro disse em entrevista à Rede TV!, cuja íntegra será veiculada neste domingo (10), que espera que Trump estabeleça uma relação “civilizada” com o Brasil.
“Eu espero que a convivência seja a convivência civilizada que eu já tive com o Bush – que era do Partido Republicano – que eu já tive com o Obama, que eu já tive com o Biden. Essa é a relação que eu quero estabelecer, uma relação entre dois chefes de Estados, cada um representa o seu país, cada um tem interesses próprios nacionais”, disse Lula.
O principal temor por parte do Palácio do Planalto é de como a volta de Trump nos EUA vai impactar na direita brasileira. Ainda durante a disputa, parlamentares que foram acompanhar a apuração do pleito norte-americano já demonstravam entusiasmo com o efeito de uma vitória do republicano.
“O mundo continua sua guinada para a direita e tenho certeza de que em 2026 estaremos de volta com Bolsonaro”, disse o deputado Paulo Bilynskyj (PL-SP), que foi para os Estados Unidos acompanhar o dia de apuração. O ex-presidente foi declarado inelegível pela Justiça Eleitoral do Brasil até 2030, mas existe a expectativa, por parte da direita, que a situação seja revista ou alterada por meio do Legislativo.
“O Congresso é o caminho para quase tudo. É o Poder mais importante”, disse Bolsonaro em entrevista ao Globo ao ser questionado sobre a possibilidade de reverter sua inelegibilidade.
Créditos: Gazeta do Povo
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