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Militares brasileiros no Congo se protegem em abrigos após bases da ONU serem bombardeadas

Segundo eles, as instalações da ONU foram alvo de tiros e bombardeios durante a invasão da cidade por rebeldes no último domingo (26)

Gazeta do Povo

31 de janeiro de 2025

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Militares brasileiros no Congo se protegem em abrigos após bases da ONU serem bombardeadas

Segundo eles, as instalações da ONU foram alvo de tiros e bombardeios durante a invasão da cidade por rebeldes no último domingo (26)

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31 de janeiro de 2025

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Militares brasileiros que integram as tropas de paz da ONU na República Democrática do Congo (RDC), na África Central, relataram à Gazeta do Povo que estão protegidos em bases que contam com abrigos contra bombardeios em Goma, a principal cidade do leste do país. Segundo eles, as instalações da ONU foram alvo de tiros e bombardeios durante a invasão da cidade por rebeldes no último domingo (26).

Há cinco militares brasileiros na cidade. Eles integram a Missão das Nações Unidas para a Estabilização da República Democrática do Congo (MONUSCO) e disseram que estão bem e possuem alimentos, mas precisam racioná-los, porque durante o conflito não há a possibilidade de reabastecimento.

Goma foi invadida por uma força de quatro mil militares do M23 e da Aliança do Rio Congo, que são considerados movimentos rebeldes. Mas eles tinham treinamento de um exército profissional e possuíam armas pesadas, como foguetes e obuses de artilharia, drones de ataque e instrumentos de guerra eletrônica que inutilizaram o rádio e os canais de comunicação da ONU.

As tropas das Nações Unidas não são equipadas para combater esse poder de fogo, pois seu mandato aprovado pelo Conselho de Segurança da ONU prevê que lutem contra milícias e grupos rebeldes e não contra uma força armada que tenha o poder de fogo de um exército de um país independente. No Conselho de Segurança da ONU, o governo congolês acusou Ruanda de fornecer as tropas profissionais e os armamentos para os rebeldes.

Mesmo lutando com uma tropa mais numerosa e armada, os capacetes azuis tentaram impedir o avanço do M23 e da Aliança do Rio Congo. Pelo menos 17 militares da ONU foram mortos em batalhas em Sake e Goma.

Após a consumação da invasão de Goma, onde ficam as principais bases da ONU na região, a aliança dos rebeldes passou a combater bolsões de resistência do exército da República Democrática do Congo na cidade. Mas os rebeldes pararam de atacar as bases da MONUSCO, a missão de paz da ONU.

Ao longo da semana, os combates na cidade diminuíram de intensidade, mas a situação continua tensa, com milhares de refugiados tentando deixar a região. O líder dos rebeldes, Corneille Nangaa, disse a aliança continuará sua campanha militar até a derrubada do governo central da República Democrática do Congo. O grupo militar se prepara agora para avançar sobre a cidade de Bukavu, no Kivu Sul.

A Aliança do Rio Congo divulgou um comunicado aos militares da ONU e da missão de paz africana SAMIDRC ordenando que deixem de apoiar o governo congolês. Ou seja, ao suspender o ataque à ONU, os rebeldes podem estar pressionando as Nações Unidas para se retirarem pacificamente da região.

Os brasileiros em Goma disseram que por ora estão de prontidão na defesa das bases das Nações Unidas e aguardam orientações do comando da missão para realizar qualquer atuação externa.

“Em Goma, o ambiente está volátil e inseguro. Para minimizar o risco, a Monusco tem implementado medidas adicionais de segurança. No momento, não podemos sair das bases e temos que ocupar os bunkers de proteção”, afirmou o coronel brasileiro Felipe Drumond Moraes.

Ele relatou que ele e os colegas precisam usar capacetes e coletes à prova de balas permanentemente e que algumas tropas estão reforçando a segurança das bases. Toda vez que soa o alerta de bombardeio, os brasileiros precisam procurar o abrigo antiaéreo da base.

“A ONU prepara bem a estrutura de suas bases, para justamente enfrentar momentos de crise. Não tem faltado suprimentos, como água e comida. Porém, durante os combates não é possível ter ressuprimento [reabastecimento] das bases e temos que racionar, até que a situação permita o [novo acesso] a suprimentos”, afirmou Drumond.

A missão de paz da ONU é comandada no momento por um general do Senegal. Mas ele deve ser substituído em breve pelo general brasileiro Ulisses Mesquita Gomes, que foi designado para o cargo no último dia 28. Em entrevista à Gazeta do Povo, ele disse que sua estratégia será inicialmente apostar na diplomacia militar para fazer a Aliança do Rio Congo se retirar pacificamente de Goma.

Os militares brasileiros dizem que não podem falar sobre aspectos políticos da missão. Mas a reportagem apurou que os membros do Conselho de Segurança da ONU estudam pressionar Ruanda a parar de fornecer armas e tropas para a aliança rebelde. Essa pressão deve escalar em breve para corte de ajuda financeira e eventualmente sanções e embargos.

Enquanto isso não acontece, o papel dos brasileiros e das outras tropas internacionais da ONU será defender suas bases e tentar dar apoio humanitário à população local.

A missão da ONU na República Democrática do Congo tem mais de 25 anos e o Brasil tem contribuído sistematicamente com militares. Desde 2013 a maioria dos comandantes da Força da Monusco tem sido oficiais generais do Exército Brasileiro.

Créditos: Gazeta do Povo

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