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Economia
Ampliação de isenção do IR pode causar mais distorções que benefícios, diz CLP
Segundo o economista, em muitos países, a progressividade é planejada para que o aumento de imposto seja diluído em faixas menores ou em incrementos mais suaves, justamente para evitar um salto na tributação
Gazeta do Povo
21 de março de 2025
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Ampliação de isenção do IR pode causar mais distorções que benefícios, diz CLP
Segundo o economista, em muitos países, a progressividade é planejada para que o aumento de imposto seja diluído em faixas menores ou em incrementos mais suaves, justamente para evitar um salto na tributação
Gazeta do Povo
21 de março de 2025
De acordo com o Centro de Liderança Pública (CLP), a proposta do governo Lula para ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para até R$ 5 mil mensais, compensada pela tributação mínima sobre as altas rendas, tem problemas que podem causar mais distorções do que benefícios.
“Isso fere o princípio de progressividade suave no Imposto de Renda, cujo ideal é elevar gradualmente as alíquotas conforme a renda sobe, para evitar desincentivos a quem se encontra próximo das transições de faixa”, afirma o gerente de Inteligência Técnica do CLP, Daniel Duque.
Segundo o economista, em muitos países, a progressividade é planejada para que o aumento de imposto seja diluído em faixas menores ou em incrementos mais suaves, justamente para evitar um salto na tributação.
Em nota enviada à Gazeta do Povo, nesta sexta-feira (21), o CLP destaca a preocupação com a fonte de recursos que será usada para custear a isenção tributária.
A proposta prevê alíquotas que podem chegar a 10% para quem ganha acima de R$ 1,2 milhão por ano, além da taxação de 10% em dividendos remetidos ao exterior.
A ideia, segundo o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, é promover a “justiça social” fazendo com que aqueles que ganham pouco – e já pagam muito imposto – sejam beneficiados e aqueles que ganham muito e pagam pouco, passem a pagar mais.
Apesar das supostas boas intenções do governo, o CLP alerta que “a experiência internacional mostra que a introdução de um imposto adicional sobre dividendos leva a uma redução significativa da distribuição de lucros. Confirmada esta tendência, o governo terá uma frustração de arrecadação”.
Medida pode ter impactos negativos na arrecadação
O CLP publicou um estudo no qual afirma que caso a proposta seja aprovada sem ajustes, poderá levar à antecipação da distribuição de lucros por parte dos acionistas para evitar a nova tributação.
Após a vigência da lei, a tendência, segundo a instituição, seria a retenção de dividendos dentro das empresas ou a adoção de estratégias de planejamento tributário.
Segundo Daniel Duque, a tributação de lucros e dividendos levanta a questão da bitributação, pois, no Brasil, parte relevante do lucro das empresas é tributada pela Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL).
Atualmente, a CSLL corresponde a cerca de 7% da receita, patamar alinhado a outros países.
“Um novo tributo sobre dividendos, sem qualquer compensação na CSLL, agrava a carga tributária sobre a mesma base de incidência”, disse Duque.
O estudo do CLP também enfatiza que o sistema tributário brasileiro se caracteriza por uma elevada dependência de impostos sobre consumo e folha de pagamentos, o que encarece a contratação formal e reduz a competitividade das empresas.
Para Duque, uma parcela considerável da população brasileira de renda mais baixa já não paga, ou paga muito pouco, Imposto de Renda.
“Embora se justifique reduzir a carga para quem efetivamente ganha menos, a escolha de expandir a isenção no IR acaba por reforçar uma distorção histórica do sistema tributário brasileiro”, completou.
Créditos: Gazeta do Povo
Foto: Fernando Jasper/Gazeta do Povo
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