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Economia
O Brasil não precisa de bomba atômica. Ele alimenta o mundo
Segundo a OCDE, em 2080, seremos 10 bilhões de pessoas no planeta. E aí vem a pergunta: como vamos alimentar toda essa gente? A resposta está aqui, debaixo dos nossos pés. Está no Brasil
João Fernando Silva
11 de abril de 2025
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O Brasil não precisa de bomba atômica. Ele alimenta o mundo
Segundo a OCDE, em 2080, seremos 10 bilhões de pessoas no planeta. E aí vem a pergunta: como vamos alimentar toda essa gente? A resposta está aqui, debaixo dos nossos pés. Está no Brasil
João Fernando Silva
11 de abril de 2025
Em tempos de guerra comercial e disputas geopolíticas acirradas, o Brasil precisa acordar para o tamanho da sua força. E não, essa força não vem de ogivas nucleares ou exércitos milionários, vem do campo. Vem do nosso agro. E isso não é exagero. Segundo a OCDE, em 2080, seremos 10 bilhões de pessoas no planeta. E aí vem a pergunta: como vamos alimentar toda essa gente? A resposta está aqui, debaixo dos nossos pés. Está no Brasil.
Somos hoje o país com a maior produtividade do mundo na menor área plantada. E não é só número bonito em relatório. O mundo inteiro sabe disso: Trump sabe, os chineses sabem, os russos sabem. O Brasil tem a capacidade real de alimentar o planeta. E isso nos coloca numa posição de poder que poucos enxergam. Imagine um conflito em larga escala envolvendo nossas terras. Quem vai plantar? Quem vai colher? Quem vai alimentar a China, a Europa? Todos esses países produzem, mas todos eles dependem de importação de alimentos. A China, mesmo sendo gigante, precisa comprar comida.
Só o setor cafeeiro, por exemplo, emprega mais de 585 mil pessoas no Brasil, em sua maioria pequenos e médios produtores. Não tem mais latifúndio como antigamente. O Mato Grosso deve, em um futuro próximo, ultrapassar São Paulo no PIB. Sabe por quê? Porque está fazendo o que o Brasil sabe fazer de melhor: plantar, colher e vender. Só no início deste ano, o estado foi responsável por quase 30% das exportações do país.
E olha só a ironia da história: quem industrializou São Paulo foi o café. Foi o agro que gerou a riqueza para levantar a indústria paulista. Então, por que não repetir isso em escala nacional? Por que não usar nossa maior vocação para criar uma indústria forte, sólida, moderna e ligada ao agro?
Enquanto alguns ficam sonhando com chips e tecnologias que levam décadas para se consolidar, o agro já gera valor imediato. É uma realidade, e isso pode ser a base da nova indústria brasileira. Temos tudo o que o mundo precisa: água, solo fértil e clima. Só o Brasil tem esses três juntos. Canadá tem água, mas falta clima. O deserto tem solo, mas falta tudo o resto. O Brasil é uma bênção natural.
Mas o que a gente faz? Reserva 20% da terra no Sul e Sudeste para não plantar. No Amapá, com 14 milhões de hectares, só se cultiva 0,03%. Isso mesmo. A maior parte foi transformada em unidade de conservação, como o Parque do Tumucumaque que é do tamanho de Alagoas e Sergipe juntos. Por conta disso o Amapá precisa importar comida.
Não se trata de ser contra preservação. O agricultor é o maior preservador que existe. Onde estão os rios mais poluídos: nas fazendas ou nas cidades? É a cidade que destrói. E é o agro que conserva. Mas aqui no Brasil, ao contrário do resto do mundo, a gente luta contra quem nos sustenta.
E ainda tem quem diga que o agro só se sustenta por causa de subsídio. Isso é uma meia-verdade.
O agro tem subsídio porque o Brasil tem uma das maiores cargas tributárias do mundo. Se não tiver algum alívio, o setor não sobrevive, hoje o subsídio para o agro representa 1% do nosso PIB muito abaixo de EUA e Europa que chegam a investir 20% do PIB em subsídios.
A gente precisa parar de jogar o jogo errado. Enquanto a China constrói 38 mil km de ferrovia em 4 anos, nós não investimos em infraestrutura, ou investimos quase nada. Lá, o planejamento é estratégico. Aqui, é improviso. E ainda tem gente que chama a China de comunista, quando, na prática, é o país mais capitalista do planeta.
A verdade é que o Brasil tem uma arma mais poderosa que qualquer bomba: a capacidade de alimentar o mundo. Isso vale mais do que qualquer arsenal. Mas, para isso, precisamos parar de demonizar o agro e entender que é ele quem sustenta essa nação. Quer criticar? Tudo bem. Mas vai até uma fazenda. Sente o cheiro da terra. Veja quem realmente preserva. E depois me diga: quem está jogando contra o Brasil. Olhando para o lado dos investimentos temos muitas oportunidades em seguimentos que podem emergir do agro. Por exemplo hoje temos alguns fundos imobiliários de setores ligados ao agro como fazendas e silos que estão com um desconto muito grande, lembrando que isso não é recomendação, mas vale a pena estudar o assunto.
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