Economia

Quem são os moradores de cobertura?

Esse relatório é público, está disponível no próprio site da bolsa, e recomendo fortemente que você procure e leia

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João Fernando Silva

27 de junho de 2025

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Quem são os moradores de cobertura?

Esse relatório é público, está disponível no próprio site da bolsa, e recomendo fortemente que você procure e leia

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Esta semana, eu mergulhei em um estudo recente da B3 sobre a evolução dos investimentos de pessoas físicas no Brasil. Esse relatório é público, está disponível no próprio site da bolsa, e recomendo fortemente que você procure e leia. Mas, se quiser um resumo crítico e com uma leitura prática do cenário, eu trouxe aqui algumas informações relevantes que merecem a nossa atenção. E falo isso especialmente pensando em quem está tentando construir patrimônio com seriedade neste país.

Vamos aos fatos

Hoje, segundo dados da própria B3, existem cerca de 96 milhões de CPF s com posição ativa em renda fixa. Isso mesmo, 96 milhões de brasileiros que decidiram guardar dinheiro, investir, planejar, gente que não vive de especulação, mas que está tentando crescer com disciplina, será que essas pessoas todas moram em uma cobertura?

Agora vem a parte mais importante: o saldo mediano desses investidores em renda fixa é de R$ 47.000. E aqui cabe uma explicação rápida: quando falamos em mediana, estamos falando do ponto do meio da distribuição, ou seja, não estamos falando de média, que pode ser distorcida.

Então me diga: você realmente acredita que um brasileiro que tem R$ 47 mil investidos mora em uma cobertura? A nova taxação do governo vai atingir somente moradores de cobertura? Não, vai impactar o investidor comum, que não tem acesso a planejamento tributário, que muitas vezes não consegue entender o que está acontecendo com a economia, mas ainda assim faz o esforço de investir todo mês.

E se você ainda acha que isso é exagero, deixa eu abrir alguns dados específicos:

• Debêntures: saldo mediano de R$ 42 mil.
• CRI (Certificado de Recebíveis Imobiliários): R$ 41 mil.
• CRA (Certificado de Recebíveis do Agronegócio): R$ 40 mil.
• LCI (Letra de Crédito Imobiliário): R$ 11 mil.
• LCA (Letra de Crédito do Agronegócio): R$ 50 mil.
• Tesouro Direto: pasmem, apenas R$ 2 mil de mediana.

Esses são os valores que a maioria dos investidores realmente tem. Ou seja, não estamos falando de milionários. Estamos falando de trabalhadores de classe média, do pequeno empreendedor, do servidor público que resolveu tirar o dinheiro da poupança e colocar no Tesouro Direto.

Todos esses investidores serão impactados pela nova taxação.
E aqui vai uma provocação: você acha mesmo que essas pessoas têm uma “cobertura”? Você acha que o investidor que tem R$ 2 mil no Tesouro vai contratar um contador ou abrir uma empresa para escapar do imposto? É claro que não.

O que estamos vendo é um desincentivo ao investimento produtivo e de longo prazo. A pessoa que coloca seu dinheiro em uma LCA ou LCI, na prática, está financiando o setor imobiliário ou o agronegócio. Aquele que compra debêntures ou CRIs está ajudando empresas a se financiarem sem depender só dos bancos. E agora essas pessoas serão penalizadas.

Enquanto isso, o investidor de curtíssimo prazo, o especulador, terá redução da alíquota. Antes, quem fazia resgates em renda fixa, que muitas vezes era deixado como garantia para operações de curto prazo pagava 22,5% de imposto. Agora vai pagar 17,5%. O day trader, que paga 20% sobre o lucro, também pagará 17,5%. Isso é coerente?
Quem investe a longo prazo, e ajuda o país a crescer, será penalizado.

Quem especula, e gira patrimônio o tempo todo, será beneficiado.
Sabe o que isso significa na prática? Que será punindo o planejamento e incentivando a especulação. Será castigado o investidor paciente, que coloca o dinheiro em CRIs, LCAs e debêntures, e beneficiado o especulador que busca ganho rápido, (não estou aqui sendo contra o especulador, ele é importante para o mercado, e eu também faço operações de curto prazo).

Mais uma vez, quem mais vai sofrer com isso é o pequeno investidor, a classe média. O rico sempre encontra uma saída. Sempre tem um caminho legal, uma estrutura jurídica pronta. O pequeno não. Esse vai pagar a conta.

Agora vamos falar rapidamente sobre outro ponto que passou quase despercebido: criptomoedas. O governo anunciou que não haverá mais isenção de IR para vendas de cripto de até R$ 35 mil por mês. Isso mostra claramente uma movimentação de aperto no cerco sobre quem usa criptomoedas como forma de proteção.

Em resumo:
• Quem tem pouco será taxado.
• Quem investe a longo prazo será penalizado.
• Quem especula será beneficiado.
Se você ainda acha que isso é justo, me diga: onde está a tal justiça fiscal que tanto pregam?

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