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Economia
O efeito psicológico por trás das empresas pagadoras de dividendos
Saiu uma análise muito interessante comparando ações que pagam dividendos com aquelas que não distribuem nada. E sabe qual é a conclusão? Os números mostram que as empresas que distribuem dividendos crescem tanto quanto as que não distribuem
João Fernando Silva
11 de julho de 2025
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O efeito psicológico por trás das empresas pagadoras de dividendos
Saiu uma análise muito interessante comparando ações que pagam dividendos com aquelas que não distribuem nada. E sabe qual é a conclusão? Os números mostram que as empresas que distribuem dividendos crescem tanto quanto as que não distribuem
João Fernando Silva
11 de julho de 2025
Pessoal, vamos falar de dividendos.
Saiu uma análise muito interessante comparando ações que pagam dividendos com aquelas que não distribuem nada. E sabe qual é a conclusão? Os números mostram que as empresas que distribuem dividendos crescem tanto quanto as que não distribuem.
E isso quebra aquele argumento clássico que muitos defendem: “Ah, é melhor investir em empresas de crescimento, porque em vez de distribuir dividendos, elas reinvestem e crescem mais.” Diversos estudos mostram que o crescimento das pagadoras de dividendos é tão consistente quanto o das outras. E eu falo com tranquilidade: eu adoro empresas que pagam dividendos.
Mas por que será que o ser humano gosta tanto disso?
Simples: a gente ama ganhar algo “de graça”. É psicológico. Nosso cérebro entende que, quando entra um dividendo na conta, mesmo que o valor da ação caia um pouco com o pagamento, parece que a gente ganhou um presente sem esforço, sem mexer no patrimônio.
E tem mais. Quando você se aposenta e tem só ações que não pagam dividendos, como você gera renda? Vendendo as ações. E aí entra a teoria da aversão à perda, que o Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel, explicou muito bem no livro Rápido e Devagar.
Essa teoria diz o seguinte: a dor de perder algo é maior do que o prazer de ganhar. Entre encontrar R$ 100 na rua ou perder R$ 100 da carteira, a dor da perda vai pesar mais. Isso é humano. E é por isso que, psicologicamente, vender uma ação dói. Parece que você está perdendo algo. Já o dividendo não: ele cai na conta como se fosse um bônus.
É o mesmo motivo pelo qual a gente gasta mais no cartão de crédito do que no dinheiro vivo: você não sente a perda no ato. Você não vê o dinheiro saindo. Por isso, dói menos. E é por isso que você gasta mais.
Voltando aos dividendos: esse efeito psicológico faz com que as ações que pagam dividendos sejam muito mais desejadas pelas pessoas. Na fase de aposentadoria, então, nem se fala. Você recebe renda todo mês sem vender nenhum ativo, sem desmontar sua carteira. E a sensação é de que você está ganhando algo “extra”, o que aumenta ainda mais o valor emocional desses papéis.
Falo com propriedade: 80% da minha carteira é formada por ações de dividendos. É muito prazeroso ver os dividendos pingando na conta mês a mês, ver aquele valor crescendo, reinvestindo, e o patrimônio girando sozinho.
Mas atenção: tem muita gente que está começando agora e cai na armadilha de olhar só o percentual de dividendos. Às vezes vê uma ação pagando 15% de yield e acha que é a melhor coisa do mundo. Só que muitas vezes isso acontece porque a ação despencou, e o dividendo ficou alto em relação ao novo preço. Ou seja, o risco aumentou.
Por isso, não é só olhar o dividendo. Tem que olhar a saúde da empresa, a consistência de pagamento, o histórico de lucros, o setor, a governança.
No final das contas, ações de dividendos fazem muito sentido, tanto financeiramente quanto psicologicamente. Elas te dão previsibilidade, constância, renda passiva e paz. E, como os dados mostram, crescem tanto quanto qualquer empresa que não distribui.
O segredo está em saber escolher bem.
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