Economia

TCU cobra equilíbrio e critica estratégia do governo de mirar déficit na meta fiscal

O aviso foi feito durante a análise do relatório de acompanhamento dos resultados fiscais do 2º bimestre de 2025, que apontou déficit acima do limite permitido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)

Gazeta do Povo

25 de setembro de 2025

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TCU cobra equilíbrio e critica estratégia do governo de mirar déficit na meta fiscal

O aviso foi feito durante a análise do relatório de acompanhamento dos resultados fiscais do 2º bimestre de 2025, que apontou déficit acima do limite permitido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO)

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25 de setembro de 2025

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O Tribunal de Contas da União (TCU) voltou a alertar o governo federal na quarta-feira (24) de que concentrar esforços apenas na banda inferior da meta fiscal, em vez do centro, fere a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O aviso foi feito durante a análise do relatório de acompanhamento dos resultados fiscais do 2º bimestre de 2025, que apontou déficit acima do limite permitido pela Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO).

Segundo o documento, o resultado primário projetado foi de déficit de R$ 97 bilhões, depois revisado para R$ 51,7 bilhões após compensações judiciais. Mesmo com o ajuste, o valor ainda está acima da margem de tolerância. A LDO fixou meta zero para 2025, com variação de até 0,25% do PIB (cerca de R$ 31 bilhões). Para o TCU, usar essa margem como meta oficial contraria o espírito da LRF, que prevê busca pelo equilíbrio.

A Corte de contas destacou que a arrecadação ficou R$ 31,2 bilhões abaixo do previsto na LOA, principalmente por frustração em impostos como o IOF. A projeção inicial de aumento de R$ 22 bilhões foi revista para R$ 12 bilhões — e, segundo os auditores, ainda pode ser superestimada. O TCU lembrou que desde 1995 apenas em três anos o nível de receita exigido foi alcançado.

No lado das despesas, houve alta de R$ 25,8 bilhões em relação ao orçamento inicial, puxada pelos benefícios previdenciários, que cresceram R$ 16,6 bilhões. Isso obrigou cortes de R$ 10,5 bilhões em gastos discricionários, o que, segundo os técnicos, pode comprometer o funcionamento da máquina pública. O Benefício de Prestação Continuada (BPC) também registrou aumento expressivo: 12,9% acima da inflação de 2024 a abril de 2025.

Os ministros do TCU ainda apontaram falhas no planejamento fiscal do governo, citando como exemplo a sucessão de mudanças no IOF — três decretos em um mês e meio — seguidas de questionamentos no STF e no Congresso. Para o TCU, alterações sem análise prévia de impacto comprometem a credibilidade das políticas públicas e a previsibilidade regulatória.

O relatório, encaminhado ao Congresso e ao Executivo, reforça que a responsabilidade fiscal exige ação planejada e transparente, e cobra medidas imediatas de contenção, como prevê o artigo 9º da LRF. Para os ministros, o governo precisa corrigir o rumo e perseguir o centro da meta fiscal, e não apenas se acomodar no limite de tolerância.

Créditos: Gazeta do Povo

Foto: Divulgação/TCU.

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