Economia

O Problema do Brasil é a Selic

A Selic elevada, a 15%, é mais um sintoma do que a causa principal dos nossos males econômicos

Foto de João Fernando Silva

João Fernando Silva

9 de outubro de 2025

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O Problema do Brasil é a Selic

A Selic elevada, a 15%, é mais um sintoma do que a causa principal dos nossos males econômicos

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Vamos conversar sobre a economia do Brasil, e o cerne da questão, o verdadeiro calcanhar de Aquiles, não é a taxa Selic como alguns estão dizendo há algum tempo, mas sim a falta de compromisso fiscal e os estímulos financeiros governamentais desmedidos. A Selic elevada, a 15%, é mais um sintoma do que a causa principal dos nossos males econômicos.

Frequentemente, compara-se o Brasil com nações como Estados Unidos e Japão, que possuem dívidas públicas altíssimas, mas juros baixos. Essa comparação é desproporcional. Quantas vezes esses países deram calote? E o Brasil? Nossa história é pontuada por esses episódios. A credibilidade de um país não se constrói da noite para o dia, e o mercado financeiro global leva isso em conta.

O Brasil é um país emergente, com uma riqueza natural imensa, mas uma desigualdade social abissal. Um país pode ser rico em recursos, mas se a população não usufrui dessa riqueza, algo está errado. Atribuir a culpa da desigualdade à Selic de 15% é desviar o foco. Essa taxa reflete nossa instabilidade e a desconfiança do mercado na nossa gestão econômica.

Nossa dependência de capital externo é uma realidade. Sem um retorno atraente, o investimento não vem. É a lógica de mercado: quem investe busca segurança e rentabilidade. Com um histórico de mau pagador, é natural que o risco percebido seja maior, e, consequentemente, os juros também. O Brasil tem se mostrado um gastador compulsivo e perdulário. A Selic alta é um espelho da nossa própria gestão.

Para o empresário, a realidade é ainda mais desafiadora. A falta de previsibilidade, com regras que mudam a todo momento, impede o planejamento de longo prazo. O Brasil se destaca mundialmente pelos seus programas de auxílio. Na minha visão, essa cultura de dependência mais prejudica do que ajuda. Deveríamos focar em criar um ambiente onde as pessoas possam prosperar por seus próprios méritos.

O argumento de que sem auxílios “as pessoas vão morrer de fome” ou que “sem o SUS, todos morrem” não se sustenta na prática. A verdade é que muitos já enfrentam dificuldades extremas mesmo com esses programas. Curiosamente, muitos defensores do SUS possuem planos de saúde particulares. Biologicamente, nosso cérebro busca poupar energia; benefícios sem contrapartida podem desincentivar o trabalho. Precisamos de equidade de oportunidades, não de esmolas que perpetuam a dependência.

É desanimador ver a insistência em culpar a Selic ou o “rentista”. O investidor apenas opera dentro das regras do jogo. Um cenário de trabalho e segurança para todos seria preferível, mas a realidade do mercado é outra. E sobre a “redução da pobreza”, é preciso olhar além dos números. Viajando pelo Brasil, vejo a miséria de perto. Se a reduzirmos artificialmente a Selic, o capital foge e o desemprego aumenta, já tivemos essa experiência no governo Dilma. A solução passa por responsabilidade fiscal e por honrar compromissos. Construir credibilidade leva tempo.

Medidas como a isenção do Imposto de Renda para até 5 mil reais são paliativas. O valor será compensado por inflação ou outros impostos. A tabela do IR deveria ser corrigida anualmente, mas isso não acontece, nem vai acontecer. A conta sempre chega. O que realmente precisamos é de uma reforma administrativa séria, com corte de gastos. Políticos e alguns economistas insistem que o Estado não é como uma casa ou como uma empresa, a verdade é que no final do dia, matemática é matemática, você pode fazer malabarismo, enfeitar, mas no final a conta não fecha, o princípio de não gastar mais do que se arrecada é universal. Essa retórica serve para justificar o aumento de impostos e a impressão de moeda.

Para concluir, o déficit recorde das estatais é mais um exemplo da má gestão. Não sou contra estatais por princípio, mas no Brasil, falta-nos maturidade para administrá-las eficientemente. O resultado é prejuízo, e quem paga a conta somos nós. Esta análise não é para desanimar, mas para alertar. É preciso direcionar os investimentos com sabedoria. Infelizmente, nosso país parece mais propício à especulação do que ao investimento de longo prazo. Proteger o patrimônio em outras moedas, mercados e em Bitcoin tornou-se uma estratégia de sobrevivência. Essa é a realidade que precisamos encarar de frente.

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