- Inicio
- Economia - Últimas Notícias
- A PIRÂMIDE CHAMADA BITCOIN
Economia
A PIRÂMIDE CHAMADA BITCOIN
Toda vez que alguém me pergunta se deve investir em bitcoin, minha resposta é sempre a mesma: você conhece bitcoin? Na maioria das vezes, a resposta é não
João Fernando Silva
22 de janeiro de 2026
- Inicio
- Economia - Últimas Notícias
- A PIRÂMIDE CHAMADA BITCOIN
Economia
A PIRÂMIDE CHAMADA BITCOIN
Toda vez que alguém me pergunta se deve investir em bitcoin, minha resposta é sempre a mesma: você conhece bitcoin? Na maioria das vezes, a resposta é não
João Fernando Silva
22 de janeiro de 2026
Toda vez que alguém me pergunta se deve investir em bitcoin, minha resposta é sempre a mesma: você conhece bitcoin? Na maioria das vezes, a resposta é não. A pessoa diz que todo mundo está falando, que viu na internet, que ouviu no noticiário. E é exatamente aí que mora o erro. Não se investe em algo que não se conhece.
Bitcoin é um ativo excelente, mas apenas para quem entende o que está comprando. Bitcoin é um instrumento financeiro e tecnológico que precisa ser compreendido antes de qualquer decisão. Este texto não é uma recomendação de compra, venda ou manutenção. O objetivo aqui é educativo. É dar base para que cada um tome sua própria decisão de forma consciente.
Bitcoin é uma criptomoeda descentralizada, criada para funcionar como dinheiro eletrônico ponto a ponto, sem intermediários e sem autoridade central. Ele opera em uma rede distribuída, onde não existe banco central, governo ou empresa controlando a emissão ou as transações. Tudo acontece dentro de um sistema público, transparente e auditável chamado blockchain.
O blockchain é, na prática, um livro razão distribuído. Cada transação realizada é validada por milhares de computadores espalhados pelo mundo e registrada em blocos que se conectam uns aos outros de forma cronológica e imutável. Isso elimina a necessidade de confiança em terceiros e reduz drasticamente o risco de fraude ou manipulação.
A ideia do bitcoin foi apresentada em 2008 por um indivíduo ou grupo sob o pseudônimo de Satoshi Nakamoto, por meio de um documento técnico conhecido como white paper. Em janeiro de 2009, o primeiro bloco da rede foi minerado, dando início ao funcionamento do sistema. Desde então, ninguém conseguiu provar quem é Satoshi, o suposto criador do bitcoin. Ele simplesmente desapareceu do projeto em 2010, deixando o código aberto para a comunidade.
Um dos pontos centrais do bitcoin é sua escassez programada. Diferente das moedas fiduciárias, que podem ser emitidas indefinidamente por governos e bancos centrais, o bitcoin possui um limite máximo de 21 milhões de unidades. Esse número não pode ser alterado. Ele está gravado no código.
A emissão de novos bitcoins acontece por meio da mineração. Mineradores competem para validar transações e adicionar novos blocos ao blockchain. Como recompensa, recebem bitcoins recém emitidos. A cada quatro anos, ocorre o halving, evento que reduz pela metade essa recompensa. Isso torna o bitcoin progressivamente mais escasso ao longo do tempo.
Hoje, mais de 90 por cento dos bitcoins já foram minerados. Isso significa que a maior parte da oferta já está em circulação. A partir daqui, a emissão se torna cada vez menor, enquanto a demanda segue crescendo. É exatamente por isso que muitos enxergam o bitcoin como ouro digital.
Aqui entra um conceito econômico importante: dinheiro ruim expulsa dinheiro bom. Quando você tem duas moedas, tende a gastar aquela que perde valor mais rápido e
guardar a que preserva poder de compra. É por isso que o bitcoin não é usado no dia a dia como meio de pagamento. As pessoas preferem guardar bitcoin e gastar moeda fiduciária.
Na minha visão, bitcoin é reserva de valor. Eu não trato bitcoin como ativo especulativo. Nunca vendi bitcoin. Apenas compro e mantenho. Hoje, ele representa cerca de 12 por cento do meu portfólio. Comecei com uma alocação muito menor e fui aumentando conforme minha convicção cresceu ao longo dos anos.
O bitcoin é volátil, isso é fato. Mas a volatilidade vem diminuindo com o tempo. À medida que o mercado amadurece, que a liquidez aumenta e que instituições entram, os movimentos extremos tendem a se reduzir. Mesmo assim, não é um ativo para curto prazo ou para quem não suporta oscilações.
Instituições financeiras globais já adotaram o bitcoin. Gestoras como BlackRock e Fidelity lançaram ETFs. Empresas como MicroStrategy e Tesla incorporaram bitcoin em seus balanços. Países como El Salvador adotaram o bitcoin como moeda legal. Fundos de pensão e bancos já utilizam bitcoin como colateral para empréstimos.
Outro ponto relevante é a custódia. Bitcoin só é realmente seu quando está sob sua posse. Deixar bitcoin em corretora significa abrir mão do controle. Exchanges podem ser hackeadas, bloqueadas ou sofrer intervenção. A autocustódia, por meio de carteiras frias, elimina esse risco. Quem detém as chaves privadas detém o ativo.
Sobre riscos tecnológicos, muito se fala em computação quântica. Hoje, não existe ameaça real ao bitcoin nesse sentido. Caso a tecnologia avance a esse ponto, o próprio protocolo pode ser atualizado. Além disso, carteiras modernas já utilizam padrões criptográficos mais robustos.
Bitcoin é negociado 24 horas por dia, sete dias por semana, em corretoras globais e locais. A liquidez é alta e permite entrada e saída a qualquer momento. Isso facilita tanto estratégias de longo prazo quanto operações de curto prazo, embora eu, pessoalmente, não utilize bitcoin para trade.
A distribuição de bitcoins mostra que ainda não há concentração, mas essa concentração vem aumentando ao longo do tempo. Grandes instituições estão entrando, governos possuem reservas, mas a maior parte ainda está nas mãos de pessoas físicas. Isso está mudando rapidamente.
Minha tese é simples. Bitcoin não sobe porque ele está valorizando. Ele sobe porque as moedas fiduciárias perdem valor. Governos continuam expandindo a base monetária, seja imprimindo dinheiro, seja concedendo crédito. O poder de compra das moedas cai. O bitcoin permanece escasso.
Tudo que é escasso e desejado tende a preservar valor. Bitcoin é escasso, global, portátil, divisível e resistente à censura. Enquanto o sistema atual continuar funcionando da forma que funciona, o bitcoin continuará se valorizando no longo prazo, na minha opinião não nada a ver com pirâmide, como muitos falam.
Últimas Notícias
Pai de Vorcaro pede a Fachin que destrave processo e reveja prisão preventiva
O caso Master era relatado pelo ministro André Mendonça, mas Fachin encaminhou o processo à presidência da Corte diante da crise interna no STF, paralisando a tramitação
Após gerar R$ 3,5 bilhões em performance fiscal para transportadoras, Rumo Brasil mira triplicar sua carteira de clientes e dobrar o faturamento em 2026
Companhia, que atende oito das dez maiores empresas do agronegócio do país, ampliou a atuação para apoiar na adaptação à Reforma Tributária
Primavera dos Museus movimenta espaços culturais de Cascavel
Programação "Museus para Todas as Pessoas" reúne acessibilidade, música, cinema, dança e memória
Siga nos
Leia também
O caso Master era relatado pelo ministro André Mendonça, mas Fachin encaminhou o processo à presidência da Corte diante da crise interna no STF, paralisando a tramitação
Companhia, que atende oito das dez maiores empresas do agronegócio do país, ampliou a atuação para apoiar na adaptação à Reforma Tributária
Programação "Museus para Todas as Pessoas" reúne acessibilidade, música, cinema, dança e memória
O ministro afirmou que o Judiciário vive seu momento mais corrupto, gerando reações das entidades que defendem a integridade da categoria e criticam a generalização de casos que deveriam ser tratados de forma individual
A fala ocorre um dia depois de Cármen Lúcia pedir desculpas ao povo brasileiro durante o julgamento realizado pelo STF na terça-feira (15). A sessão terminou sem uma conclusão sobre o relatório que aponta uma relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes
O petista disse que Flávio tenta relacioná-lo ao ministro e afirmou que a reação contra Moraes estaria ligada à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e às decisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023
A manifestação foi uma reação à sessão extraordinária que terminou sem uma definição sobre investigar ou não o ministro Alexandre de Moraes