Vivemos momentos em que está cada vez mais difícil achar um investimento, onde nosso querido Estado não queira meter a mão. Tivemos a tentativa de tributar os fundos imobiliários, depois a taxação dos super riscos, agora as offshore, vemos poucos incentivos para poupar, mal sabem esses senhores que é a poupança que gera oportunidades de criação da verdadeira riqueza, quanto mais as pessoas são tributadas, menos incentivos elas têm para poupar, e o que esperamos ver nos próximos meses e anos aqui no Brasil, é a saída de capital do país, visto que hoje é muito fácil fazer isso. Você abre uma conta no exterior, em uma corretora, como se abre uma conta em um banco digital. Além do acesso, às pessoas têm muito mais informação que anos atrás, mas os FI-Infra vem na contramão da vontade do papai Estado, e é incentivado por ele, até o momento…
No Brasil temos uma estimativa de perda de 1,27% do PIB todos os anos, o equivalente a US$22 bilhões, por conta da falta ou interrupções nos serviços de infraestrutura, em transportes e energia. Como temos um Estado que funciona mais ou menos como um síndico de prédio, que gasta 80% da arrecadação do condomínio desse prédio chamado Brasil, com seu próprio salário, e os 20% que sobra ainda aloca muito mal, em serviços de manutenção de baixa qualidade, e com custos enormes, falta todos os anos muito dinheiro para investir em infraestrutura, algo primordial para o crescimento e enriquecimento sustentável de um país, com isso o governo não tem outra saída, além de incentivar de alguma forma o investimento neste setor.
E é aqui que entra o FI-Infra, que são fundos de renda fixa que investem majoritariamente em debêntures incentivadas, dívidas de longo prazo de empresas S.A, direcionadas para infraestruturas. Estes projetos podem incluir áreas como: transporte, energia, saneamento básico, entre outros. O objetivo das debêntures incentivadas, é incentivar o investimento privado em setores estratégicos para o desenvolvimento do país. A principal vantagem desta modalidade de investimento, é a isenção de imposto de renda para pessoa física residente no Brasil. Importante ressaltar também, que apesar dessas dívidas serem emitidas por empresas geralmente sólidas, há um risco, como qualquer investimento.
Os Fundos são geridos por profissionais, e grandes instituições do mercado. O mesmo possui várias vantagens, tais como: além de não pagar imposto de renda sobre os rendimentos, pois os juros compostos ao longo de anos faz muita diferença, ainda muito mais se seus rendimentos não são tributados, você não paga sobre o ganho de capital. Outra vantagem, é que os fundos imobiliários, por exemplo, não têm esta isenção. Se você comprar uma cota por 10, e vender por 20, no fundo imobiliário você pagaria 20% de imposto sobre o ganho, já no FI-Infra esse ganho é isento, turbinando ainda mais seus rendimentos futuros.
Apesar dos FI-Infra não serem uma modalidade nova de investimento, ela está ganhando tração e atenção neste ano por dois fatores: o primeiro, o governo quer arrecadar muito, tributando onde e o que ele pode, como já comentado acima. Segundo, é um governo que quer retomar forte o investimento em obras de infraestrutura no país, postura que seria ótima se ele tivesse uma gestão profissional, e realmente se metesse a fazer e investir onde a iniciativa privada realmente não pode e não quer. Como investimentos de longo prazo, o FI-Infra pode ser uma oportunidade de capturar rendimentos maiores, em um momento em que as taxações vão ficar cada vez mais altas, e sobrarão poucas oportunidades no Brasil para rentabilizar seu patrimônio.
Existem mais ou menos 12 fundos hoje listados na B3, que podem ser negociados diariamente. É importante verificar quais fundos tem uma boa liquidez, para o caso de necessidade de se desfazer da posição. Alguns FI-Infra vem performando muito bem em 2023, pagando um yield de 16%, muito mais que os títulos públicos brasileiros. A maioria dos FI-Infra têm uma remuneração de IPCA, mais uma taxa fixa. Outra coisa importante para escolher bem em quais destes fundos investir, é a taxa de administração que a gestora cobra, pois isso também irá impactar seus rendimentos futuros, ainda mais se você entrar com pensamento de investimento de longo prazo. Essas informações, podem ser adquiridas nas páginas das gestoras e em seus relatórios.
Sabendo que o setor de infraestrutura do Brasil, é um setor muito importante e sensível para o crescimento e desenvolvimento do Brasil, e que este governo que aí está, quer muito fomentar este setor, provavelmente esta será uma modalidade que não vai sofrer tributação, ou não tão logo, já que não há milagre, e nem almoço grátis. O governo seguirá criando algumas anomalias, não só no mercado como um todo, mas também nos investimentos. Cabe a cada um estudar, conhecer, e se aprofundar cada vez mais em uma coisa que é muito importante para todo cidadão, conhecer de finanças. Pois, a rigor, há uma grande diferença entre ter informação e ter conhecimento. Para quem tem conhecimento, não existe informação boa, nem ruim, só existe informação, pois quem tem conhecimento sempre saberá o que fazer com ele.
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