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Dossiê encontrado com Vorcaro atribui fraudes no Master a ex-sócios e diretores
O documento, de uma página impressa, aparece numa foto de 2022 armazenada no e-mail de Vorcaro, e não é assinado. Na imagem, o papel aparece sobre um envelope com selo, dentro do qual possivelmente teria sido enviado por correio
Gazeta do Povo
11 de março de 2026
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Dossiê encontrado com Vorcaro atribui fraudes no Master a ex-sócios e diretores
O documento, de uma página impressa, aparece numa foto de 2022 armazenada no e-mail de Vorcaro, e não é assinado. Na imagem, o papel aparece sobre um envelope com selo, dentro do qual possivelmente teria sido enviado por correio
Gazeta do Povo
11 de março de 2026
Um dossiê apócrifo, encontrado pela Polícia Federal nos arquivos de Daniel Vorcaro, atribui a ex-sócios e executivos do Master as fraudes que teriam levado à liquidação do banco no ano passado e deflagraram a megainvestigação sobre o empresário.
O documento, de uma página impressa, aparece numa foto de 2022 armazenada no e-mail de Vorcaro, e não é assinado. Na imagem, o papel aparece sobre um envelope com selo, dentro do qual possivelmente teria sido enviado por correio. As afirmações que constam no dossiê estão sendo investigadas pela PF.
O texto, de 10 parágrafos, tem linguagem informal e começa com “Banco master / Essa conta vai ser paga pelo FGC”, referência ao Fundo Garantidor de Crédito, caixa abastecido pelos bancos e usado para quitar dívidas com credores em caso de quebra de um deles – no caso do Master, o FGC sofreu prejuízo de R$ 52 bilhões.
Uma grande parte é dedicada a Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro no Master. Diz que ele ficava com o lucro gerado com operações fraudulentas do banco. O documento o descreve como “dono e presidente de fato” do Master, enquanto Vorcaro, embora fosse formalmente presidente, seria um “laranja” e “só um vaidoso que não manda muita coisa, mas gosta de gastar feito gente grande”. “O lucro do banco vai para a própria empresa do pastinha Augusto Lima que fica com tudo”, diz outro trecho.
Em vários trechos, o dossiê trata Augusto Lima de forma pejorativa. “O Ditador nojento Augusto Lima, dono e presidente de fato (que nem aparece como diretor eleito) dita regra e governa com um regime de terror nos funcionários junto com seu capataz Luiz Bull, com medo que o esquema venha a público”, diz o documento.
Em outra parte, o dossiê diz que “a principal operação do Augusto é um consignado que esfola os companheiros funcionários públicos da Bahia com as mais altas taxas de juros por concessão de um esquema bem conhecido no estado”. Trata-se de uma possível referência ao Credcesta, um programa de empréstimo consignado oferecido a servidores estaduais da Bahia e que se tornou um dos grandes ativos do Master.
Procurada pela reportagem, a defesa de Augusto Lima não se manifestou. Ele havia sido convocado para prestar depoimento na CPMI do INSS nesta quarta-feira (11), mas foi beneficiado por uma decisão do ministro do STF, André Mendonça, que o autorizava a não comparecer. A sessão acabou sendo cancelada.
Luiz Bull, citado no texto, é ex-diretor de Compliance do Master e aparece junto com Ângelo Silva, ex-sócio do banco. Ambos, segundo o texto, manipulariam dados de ativos podres para transformar prejuízos em lucro “com os métodos mais rasteiros”.
“De quase 5 bi de captação garantida pelo FGC [Fundo Garantidor de Crédito], mais de 3 bi estão em ativos ilíquidos (fundos imobiliários, fundos de precatórios, títulos sem rating,) e o Bacen [Banco Central] não vê nada”, diz o dossiê, narrando em seguida como Bull e Silva manipulariam os papéis. “Aí os três bi vira três e duzentos, compensa o prejuízo da operação e ainda aparece um lucro (pra quem quer fingir que acredita)”.
O texto diz ainda que Bull e Silva ganhariam mensalmente “bônus em dobro” com “comparsas” dos setores de contabilidade e controladoria do banco, enquanto “os demais companheiros só recebem um minguado PLR” (Participação nos Lucros e Resultados). Depois, o texto afirma que “a mera avaliação justa desses ativos colocaria o PL do banco no campo negativo” – possível referência ao Patrimônio Líquido do Master.
Procurada, a defesa de Luiz Antônio Bull afirmou que “a carta anônima não passa de uma espécie de manifesto recheado de adjetivos, mentiras e acusações desvinculadas de qualquer prova”. “Luiz Bull jamais participou de qualquer tipo de atividade ilegal em todo seu histórico profissional, inclusive durante o período em que trabalhou no Banco Master. Sua remuneração, incluindo eventuais bônus, é declarada às autoridades competentes”, afirma a defesa. A defesa acrescentou ainda ser “no mínimo, temerário, dar crédito ao teor de um documento apócrifo com as características da carta apreendida”.
Procurada, a defesa de Angelo Silva também não se manifestou sobre o dossiê.
O texto ainda menciona o empresário Nelson Tanure, descrito como “sócio oculto” e “conhecido investidor abutre”, “que indiretamente também se financia no Banco e está comprando o Brasil todo”.
Da mesma forma, a defesa de Nelson Tanure não se manifestou. Em outras ocasiões, os advogados negaram que ele tenha sido sócio oculto do Master.
A defesa de Daniel Vorcaro também não se manifestou sobre o documento. O espaço da reportagem permanece aberto para esclarecimentos sobre o teor do texto.
Sociedade de Vorcaro com Augusto Lima terminou em 2024
Preso em novembro junto com Daniel Vorcaro, o empresário baiano Augusto Ferreira Lima, de 46 anos, deixou de ser sócio do Master em 2024, mas é investigado por fraudes financeiras durante o período em que foi CEO no banco.
Ele é apontado pela Polícia Federal como figura relevante por ter levado ao Master um de seus principais produtos: o cartão de crédito consignado Credcesta, que se tornou um dos pilares da estratégia de negócios da instituição.
Em 2018, Lima comprou do governo da Bahia a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal), estatal responsável pela rede de supermercados Cesta do Povo, e privatizada pelo então governador e a atual ministro da Casa Civil Rui Costa (PT).
Criou então um cartão de crédito para servidores e aposentados comprarem produtos, com empréstimos descontados no contracheque. Batizado de Credcesta, tornou-se um dos ativos mais lucrativos do Master após a entrada de Lima no banco, em 2020. Em 2024, o produto estava disponível em 176 municípios de 24 estados.
Hoje, a PF investiga a relação de Lima com políticos do PT.
Num dos celulares de Vorcaro apreendido pela PF, há uma conversa dele com a namorada, em novembro de 2024, sobre a sociedade com Augusto Lima. “Não to aguentando. Tentei entregar o banco varias vezes hoje pro augusto”, escreveu Vorcaro.
“Ele atende ligação ai depois me fala: era meu pai de santo, falou que é pra eu ficar e ficarmos juntos????”, diz uma mensagem posterior. A namorada depois pergunta: “Surreal m. Mas você conseguiu se livrar ou ainda continua isso?”, e Vorcaro responde: “Ainda continua”.
Créditos: Gazeta do Povo
Foto: Reprodução/Youtube/TVLIDE
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