Economia

O RISCO FISCAL BRASILEIRO E A NECESSIDADE URGENTE DE PROTEÇÃO DO SEU PATRIMÔNIO

O cenário fiscal do Brasil exige uma atenção muito maior do que a maioria das pessoas está disposta a dedicar

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João Fernando Silva

23 de junho de 2026

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O RISCO FISCAL BRASILEIRO E A NECESSIDADE URGENTE DE PROTEÇÃO DO SEU PATRIMÔNIO

O cenário fiscal do Brasil exige uma atenção muito maior do que a maioria das pessoas está disposta a dedicar

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João Fernando Silva

23 de junho de 2026

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O cenário fiscal do Brasil exige uma atenção muito maior do que a maioria das pessoas está disposta a dedicar. Não se trata de desmerecer o nosso país ou dizer que não devemos investir aqui. Pelo contrário, o Brasil é uma economia emergente que atrai olhares do mundo todo e existem boas oportunidades, mas a realidade é que precisamos ter muita cautela. Existe uma insegurança governamental e jurídica que não pode ser ignorada por quem deseja preservar o fruto do seu trabalho. Quando falamos sobre o futuro dos seus investimentos, precisamos olhar para os fatos, especialmente para o comportamento das taxas de juros e para a forma como a dívida pública é gerida.

Historicamente, o Brasil sempre pagou juros muito altos, mas o patamar atual é algo que merece um alerta vermelho. Enquanto observamos os números, fica evidente que o mercado está precificando um risco estrutural muito elevado. Quando olhamos para os títulos do Tesouro, com vencimentos de longo prazo, as taxas oferecidas são, muitas vezes, insustentáveis a longo prazo. É preciso entender que esse diferencial de juros entre o Brasil e os Estados Unidos não é um acidente. Ele reflete a desconfiança de que o governo possa não conseguir honrar seus compromissos da forma como deveria. O mercado financeiro é pragmático e, em algum momento, ele simplesmente se recusa a financiar uma dívida que cresce sem controle.

Alguns especialistas defendem que ajustes fiscais serão feitos cedo ou tarde, independentemente de quem estiver ocupando a cadeira da presidência. Eu concordo que o ajuste é necessário, mas a grande questão é se ele será feito e como será feito. O político de plantão tem um mandato de quatro anos, enquanto o seu patrimônio é algo que você construiu para a sua vida toda. A maioria dessas figuras públicas mantém boa parte de seus próprios bens protegidos fora do Brasil, longe da volatilidade do Real. Portanto, você precisa pensar com a mesma lógica de proteção. Se houver problemas graves, eles têm para onde ir. E você, está preparado para todos os cenários.

Para entender o perigo, vale a pena olhar para o passado de outros países. Em 2002, quando Portugal e Espanha adotaram o euro, eles perderam o poder de imprimir dívida para cobrir déficits. Antes disso, eles tinham essa capacidade, o que gerava uma inflação. Ao adotar o euro, essa austeridade forçada funcionou como uma âncora fiscal. O Equador, na década de 2000, passou por um processo semelhante de dolarização. Quando a inflação atingiu níveis insuportáveis, o país simplesmente parou de imprimir a própria dívida. O efeito foi imediato e até governos de ideologias mais radicais não conseguiram reverter essa medida, porque o apoio popular à estabilidade da moeda era imenso.

No Brasil, o Plano Real trouxe uma arquitetura que tentou nos proteger desse vício de imprimir dívida. Ao longo do tempo, fechamos vários canais que permitiam ao governo criar dívida do nada. A proibição do Banco Central de comprar títulos do Tesouro foi um passo fundamental. Quando o Banco Central não pode monetizar a dívida, o Tesouro é obrigado a vender seus títulos para alguém que realmente tenha o dinheiro, e não apenas para uma impressora. Contudo, existe uma brecha perigosa que foi consolidada em 2019 e que poucos investidores realmente compreendem.

Uma lei de 2019 permite que o Banco Central transfira para o Tesouro os resultados positivos obtidos com as reservas internacionais. Vamos simplificar essa lógica para você entender o tamanho do problema. O Banco Central possui cerca de 370 bilhões de dólares em reservas. Quando o Real se desvaloriza, o valor dessas reservas em moeda nacional aumenta drasticamente. Isso gera um lucro contábil. É um lucro que não é realizado, é apenas uma variação cambial. No entanto, a lei autoriza o Conselho Monetário Nacional a autorizar a transferência desse lucro para o Tesouro para o pagamento de dívidas em situações de necessidade.

Durante a pandemia, essa brecha foi utilizada e bilhões foram transferidos. O precedente foi aberto. Imagine um cenário de crise, onde o dólar dispara para valores muito mais altos. Esse movimento gera um lucro contábil gigantesco nas reservas. O governo pode usar esse dinheiro criado pela própria desvalorização da moeda para pagar dívidas. O problema é que, ao fazer isso, o governo injeta moeda na economia, o que gera mais inflação, o que desvaloriza ainda mais o Real, o que gera mais lucro contábil nas reservas, criando um ciclo vicioso de destruição do poder de compra.

Estamos diante de uma engrenagem que, se acionada de forma sistemática, pode nos levar de volta a tempos de hiperinflação. Não estou afirmando que isso acontecerá, mas a existência desse mecanismo nas mãos de um governo perdulário é um risco que não pode ser ignorado. O mercado sabe disso e é por isso que os prêmios de risco nos títulos públicos são tão elevados. O governo tem o poder de quebrar a barreira entre a política fiscal e a monetária, destruindo a credibilidade que foi tão difícil de conquistar com o Plano Real.
Diante desse quadro, a única postura racional para um investidor é a proteção. Diversificação não é apenas uma estratégia para ganhar mais, é um seguro contra cenários extremos. Se você mantém todos os seus ativos em uma única moeda, em um único país, você está assumindo um risco que talvez não consiga gerenciar caso as coisas deem errado. A minha orientação pessoal, que coloco em prática no meu próprio patrimônio, é buscar uma alocação majoritária fora do Brasil, isso não é recomendação.

O mercado de ações americano representa uma parcela enorme do mercado global. Ter uma fatia relevante do seu capital dolarizado é uma forma de garantir que o seu poder de compra não seja corroído por decisões fiscais internas. Eu defendo que, idealmente, uma parte significativa do seu portfólio deveria estar em ativos internacionais, em moeda forte. Isso não significa que você deve zerar suas posições no Brasil.

Pense na diversificação como uma apólice de seguro racional. Enquanto todos esperam por reformas estruturais que nunca chegam, ou por ajustes fiscais que são feitos apenas pela metade, o investidor inteligente prepara o seu terreno. A vida financeira é longa e você não pode se dar ao luxo de torcer para que o cenário político seja sempre favorável. Prepare-se para o pior, proteja o que é seu e busque ativos que tenham valor intrínseco, independentemente das decisões de um governo que pode, a qualquer momento, mudar as regras do jogo. A responsabilidade pelo seu futuro é inteiramente sua.

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