Economia

VAMOS IMPLODIR O BRASIL

O problema central hoje não é apenas o alto nível de endividamento causado pela taxa Selic e por todos os outros fatores que compõem o custo de fazer negócios no nosso país. Antes as empresas apresentavam dívidas, mas conseguiam gerar receita para sobreviver

Foto de João Fernando Silva

João Fernando Silva

11 de setembro de 2026

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VAMOS IMPLODIR O BRASIL

O problema central hoje não é apenas o alto nível de endividamento causado pela taxa Selic e por todos os outros fatores que compõem o custo de fazer negócios no nosso país. Antes as empresas apresentavam dívidas, mas conseguiam gerar receita para sobreviver

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Estamos passando por um momento econômico difícil e a realidade dos balanços mostra sinais de fragilidade. Já falei diversas vezes que a situação está mais grave do que na época da Dilma. A rede Rabibs pediu recuperação judicial recentemente. vimos também a gigante Casas Bahia na mesma situação e já somamos milhares de pedidos de falência no Brasil. O problema central hoje não é apenas o alto nível de endividamento causado pela taxa Selic e por todos os outros fatores que compõem o custo de fazer negócios no nosso país. Antes as empresas apresentavam dívidas, mas conseguiam gerar receita para sobreviver.

O impacto é enorme e já batemos recordes absurdos de recuperação judicial. Com a nossa inflação e o custo gigantesco para manter qualquer operação rodando as empresas passam por um sufoco real. O que mais assusta é que quando a crise atinge grandes corporações significa que muitas pequenas e médias já faliram faz tempo. O pequeno empresário não vira notícia no dia a dia. A insegurança afasta investimentos e deixa quem produz sem saída.

O caso da Casas Bahia ilustra perfeitamente essa loucura e o tamanho da nossa insegurança jurídica. A empresa precisou demitir quase dois mil funcionários e anunciou o fechamento de quase trezentas lojas para tentar sobreviver. O que aconteceu em seguida foi uma decisão que apavora quem está no mercado. A justiça determinou a recontratação de todos esses funcionários sob pena de multa diária. A empresa foi obrigada a realocar o pessoal e continuar pagando os salários. Além disso as indenizações rescisórias que já foram pagas não precisariam ser devolvidas imediatamente. Se a demissão fosse confirmada lá na frente a pessoa simplesmente ficaria com o valor da rescisão no bolso.

Em outras palavras a empresa já está praticamente morta e o estado resolve pisotear em cima de qualquer plano de sobrevivência. O estado deveria proteger a empresa que é justamente quem gera renda e quem cria o emprego para o trabalhador. Mas o que vemos é o poder público fazendo exatamente o oposto. Salvar os empregos de alguns de forma forçada pode colocar em risco direto o trabalho de outros vinte mil funcionários que continuam na operação. O empresário que acompanha uma decisão dessas olha para o mercado e fica apavorado porque o Brasil já é conhecido como o lugar mais caro do planeta para se demitir um funcionário.

Demitir alguém precisa fazer parte do jogo e da reestruturação de qualquer negócio que passa por crise. Isso é um absurdo completo que intimida quem tenta empreender. Hoje o estado penaliza diretamente as empresas que crescem e geram oportunidades. Se um negócio fatura mais e contrata mais acaba pagando mais impostos e fica mais sufocado. A lógica está invertida. O certo seria ter incentivo para quem mantém a máquina funcionando porque quem contrata e cresce gera mais renda para as pessoas e consequentemente mais imposto para o estado.

Existem mais de seis mil empresas em recuperação judicial e isso afeta todos os fornecedores que orbitam em torno delas. Se uma companhia entra em recuperação judicial o fornecedor que prestou um serviço ou entregou uma mercadoria simplesmente não vai receber o que lhe é devido. Isso cria um perigoso efeito cascata no mercado. Existem milhares de outras pessoas e dezenas de outros negócios menores em situação difícil que também podem chegar ao fundo do poço simplesmente porque levaram um calote de uma empresa maior que quebrou. Precisamos entender de uma vez por todas que estamos jogando do mesmo lado, e que quando as empresas quebram ninguém sai ganhando no final das contas.

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