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Flávio mira em voto dos eleitores de adversários e tenta decidir eleição no 1º turno

O senador passou a fazer apelos diretos a eleitores que tem como preferência inicial candidatos de oposição a Lula (PT)

Gazeta do Povo

21 de setembro de 2026

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Flávio mira em voto dos eleitores de adversários e tenta decidir eleição no 1º turno

O senador passou a fazer apelos diretos a eleitores que tem como preferência inicial candidatos de oposição a Lula (PT)

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21 de setembro de 2026

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A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) entra na reta final do primeiro turno com uma estratégia mais agressiva: transformar o avanço registrado nas últimas pesquisas em uma campanha pelo voto útil para tentar encerrar a disputa já em 4 de outubro. O senador passou a fazer apelos diretos a eleitores que tem como preferência inicial candidatos de oposição a Lula (PT).

Internamente, a equipe trabalha para explorar a percepção de que a disputa está concentrada nos dois primeiros colocados. A estratégia ganhou força com a aproximação entre Lula e Flávio nas pesquisas de intenção de voto. No Datafolha divulgado na última quinta-feira (17), Lula aparece com 39% no primeiro turno, contra 36% de Flávio.

Na simulação de segundo turno, o presidente tem 46%, ante 44% do senador, resultado dentro da margem de erro de dois pontos percentuais. Na pesquisa Quaest, divulgada dias antes, Flávio chegou a aparecer numericamente à frente de Lula no segundo turno, por 42% a 40%, resultado que mantém os dois dentro do empate técnico.

Com esse cenário, a campanha do PL passou a mirar diretamente os eleitores de candidatos que aparecem mais distantes da liderança. Augusto Cury (Avante), Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Romeu Zema (Novo) somam 15% das intenções no levantamento Datafolha.

A tentativa do PL é que parte desse eleitorado possa reavaliar a escolha para presidente à medida que a votação se aproxima e concentre o voto em Flávio. Esse movimento vem sendo trabalhado pela campanha do senador desde a última semana.

Em uma transmissão pelas redes sociais, o candidato do PL fez um apelo a eleitores que não o têm como primeira opção e pediu que considerassem votar nele já no primeiro turno. “Eu quero fazer um apelo aqui aos brasileiros que não me têm como primeira opção para presidente da República, que preferem votar em outro candidato. […] Considere votar em Flávio Bolsonaro já no primeiro turno para a gente resolver essa parada logo no primeiro turno”, disse.

Nos grupos de WhatsApp da campanha bolsonarista, o próprio candidato tem reforçado a estratégia de voto útil. Em mensagens enviadas aos aliados, Flávio pediu engajamento dos correligionários “para resolver no 1º turno” a disputa eleitoral.

Além disso, o PL pretende divulgar um jingle que repete a expressão “virou, virou, virou, virou” e afirma que “o Brasil agora é Flávio”. Segundo integrantes da campanha ouvidos pela Gazeta do Povo, a medida é uma tentativa de transformar o avanço registrado nas pesquisas em uma percepção de crescimento da candidatura.

Sudeste será foco das últimas agendas antes do primeiro turno

Depois de passar por Santa Catarina no último fim de semana, a campanha de Flávio Bolsonaro pretende concentrar as últimas viagens antes do primeiro turno no Sudeste brasileiro. O candidato esteve no sábado (19) em Joinville e Chapecó, onde participou de comícios ao lado de apoiadores e do irmão Carlos Bolsonaro (PL), candidato ao Senado pelo PL.

Apesar de a campanha presidencial avaliar que Flávio terá um desempenho expressivo na região Sul, a passagem pelo estado catarinense foi estratégica para tentar alavancar a candidatura de Carlos ao Senado. Pesquisa Real Time Big Data divulgada na semana passada mostrou Carol de Toni (PL) com 24% das intenções de voto, enquanto Esperidião Amin (PP) e Carlos aparecem com 20% cada.

A margem de erro é de dois pontos percentuais, o que coloca os três candidatos numericamente empatados. Neste ano, são duas vagas em disputa pelo Senado em cada estado brasileiro.

Na sequência, o planejamento do PL prevê uma concentração das agendas nos três maiores estados do Sudeste: São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. A região já vinha sendo tratada pela campanha como um dos principais focos para a reta final, e os números mais recentes da Quaest reforçaram essa atenção.

Na simulação de segundo turno, Flávio passou de 43% para 47% entre os eleitores que votam no Sudeste, enquanto Lula recuou de 35% para 31%. A diferença entre os dois, que era de oito pontos na rodada anterior, chegou a 16 pontos. A margem de erro do segmento é de três pontos percentuais.

Para Beto Vasques, analista político e coordenador do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fesp-SP, a reta final tende a aumentar a importância dos eleitores que ainda podem mudar de posição e promover a migração de votos entre os candidatos da direita e da centro-direita. “Essa peculiar situação reforça a importância de se colocar a lupa no perfil da alienação eleitoral, no comportamento dos eleitores pendulares e na dinâmica de migração de votos dos candidatos nanicos para os dois primeiros colocados”, afirma.

Campanha de Flávio se prepara para confronto com Lula no debate da Globo

Além das agendas no Sudeste, a campanha do PL prepara Flávio para sua eventual participação no debate da TV Globo, marcado para 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno. A equipe espera que Lula participe do encontro e decidiu que o senador só estará presente caso o presidente também compareça.

A avaliação dos aliados é que, sem Lula, os demais candidatos poderiam concentrar ataques e críticas no candidato do PL. O próprio Flávio defendia participar do encontro mesmo sem a presença do petista e dizia que poderia ignorar eventuais ataques.

A mesma discussão ocorreu antes do debate da TV Band, quando os aliados trabalharam para convencê-lo a não participar. Para a TV Globo, a equipe do marqueteiro Duda Lima pretende reservar parte das agendas dos próximos dias para a preparação do candidato.

Além da estratégia de confronto, a campanha terá de definir como abordar temas que ganharam espaço na reta final, como o reajuste do Bolsa Família anunciado pelo governo. Flávio classificou a medida como um “ato de desespero” e passou a associá-la à proximidade da eleição.

O tema acrescenta uma disputa de agenda econômica à estratégia do PL, que também vem explorando questões como custo de vida, segurança e críticas ao governo Lula. “O Bolsa Família é importante. Mas dinheiro público não pode ser usado como instrumento eleitoral, atropelando o Congresso e a legislação. Lula está desesperado com as pesquisas e tenta criar uma nova cortina de fumaça para esconder sua parceria com Alexandre de Moraes”, disse o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio.

Para o cientista político Jairo Pimentel, do Laboratório de Opinião Pública e Mídias Digitais da Fesp-SP, a ênfase no Bolsa Família não significa necessariamente que os temas anteriores tenham perdido relevância. Segundo ele, no entanto, cria uma nova frente de discussão para os candidatos.

“Depois de semanas em que o ‘caso Master’ e a crise envolvendo ministros do STF ocuparam espaço central no debate político, o reajuste do Bolsa Família introduz uma pauta de renda, inflação e proteção social que passa a disputar espaço com esses temas no noticiário e no discurso das campanhas”, afirma.

A campanha de Lula ainda discute a participação do presidente no debate da Globo. A decisão ganhou peso diante da mudança no cenário das pesquisas: antes do avanço de Flávio, o PT chegou a considerar que Lula poderia não participar dos debates, mas passou a reavaliar a estratégia diante da disputa mais apertada.

Metodologia das pesquisas citadas na reportagem

  • O Datafolha ouviu 2.002 eleitores nos dias 15 e 16 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Empresa Folha da Manhã S.A. e pela Globo Comunicação e Participações S.A., com nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento está registrado no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sob o número BR-04029/2026.
  • A Quaest entrevistou 2.004 pessoas com 16 anos ou mais entre 10 e 13 de setembro de 2026, em entrevistas presenciais. O levantamento tem nível de confiança de 95% e margem de erro aproximada de dois pontos percentuais para o total da amostra. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A. e está registrada no TSE sob o número BR-03607/2026.
  • Já o Real Time Big Data ouviu 1.600 eleitores de Santa Catarina entre 12 e 16 de setembro. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e margem de erro de dois pontos percentuais para mais ou para menos. O levantamento foi contratado pelo próprio instituto e está registrado no TSE sob o número SC-00866/2026.

Créditos: Gazeta do Povo

Foto: Charles Vieira/Campanha Flávio Bolsonaro

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