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Flávio intensifica ofensiva pelo Senado mirando mudanças na relação com o STF
A estratégia de Flávio Bolsonaro (PL) combina a conquista da Presidência com a ampliação da bancada de direita no Senado
Gazeta do Povo
23 de setembro de 2026
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Flávio intensifica ofensiva pelo Senado mirando mudanças na relação com o STF
A estratégia de Flávio Bolsonaro (PL) combina a conquista da Presidência com a ampliação da bancada de direita no Senado
Gazeta do Povo
23 de setembro de 2026
A 10 dias do primeiro turno, a campanha presidencial do PL reforçou o discurso de que a eleição deste ano irá definir, além do comando do Palácio do Planalto, a correlação de forças com o Supremo Tribunal Federal (STF) a partir de 2027. A estratégia de Flávio Bolsonaro (PL) combina a conquista da Presidência com a ampliação da bancada de direita no Senado.
A Casa, que terá 54 das 81 cadeiras em disputa, concentra duas prerrogativas importantes para os planos da direita em relação à Suprema Corte: a aprovação das indicações presidenciais para o STF e o julgamento de ministros por crimes de responsabilidade. O reforço sobre as candidaturas do PL ocorre em meio ao desgaste dos ministros nas últimas semanas, com o escândalo do Banco Master e as suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes no centro do debate político.
Flávio tem dito que, se eleito, poderá fazer até cinco indicações para ministros até o final do eventual mandato em 2030. A conta feita pela campanha considera as vagas que já estão abertas ou previstas para os próximos anos.
O presidente eleito em outubro terá três indicações decorrentes das aposentadorias compulsórias de Luiz Fux, em abril de 2028, Cármen Lúcia, em abril de 2029, e Gilmar Mendes, em dezembro de 2030. Além dessas, há uma cadeira aberta desde a saída de Luís Roberto Barroso, cuja indicação de Jorge Messias foi rejeitada pelo Senado.
Além disso, Flávio tem defendido um processo de impeachment contra o ministro Alexandre de Moraes e afirmou que trabalhará para afastá-lo caso chegue à Presidência. “Como presidente, vou proteger as instituições. Vou proteger o Supremo Tribunal Federal, que não é o Alexandre de Moraes. A magistratura e os juízes desse país não são o Flávio Dino”, afirmou o candidato.
A ofensiva da direita acontece em meio à deterioração da confiança do eleitorado na Corte. Pesquisa Quaest divulgada no último dia 14 mostrou que 56% dos brasileiros não confiam no STF. O índice subiu dez pontos percentuais em um mês e atingiu o maior patamar desde dezembro de 2022.
O levantamento mostra ainda que 30% dos entrevistados confiam pouco no STF e apenas 9% afirmam confiar muito na Corte. Em agosto, 46% diziam não confiar no Supremo, 33% confiavam pouco e 18% declaravam muita confiança.
- Metodologia da pesquisa citada: A Quaest ouviu 2004 eleitores entre os dias 10 e 13 de setembro de 2026. A pesquisa foi contratada pela Editora Globo e pela Globo Comunicação e Participações S.A. Nível de confiança: 95%. Margem de erro: 2 pontos percentuais. Registro no TSE sob o nº BR-03607/2026.
Estratégia para o STF passa pela eleição de uma nova bancada no Senado
A tentativa de ampliar a influência sobre o STF também aparece na estratégia eleitoral do PL para o Senado. Desde o início da campanha, o partido tem direcionado boa parte dos recursos para candidatos considerados importantes para a formação da próxima bancada.
A legenda repassou R$ 91,6 milhões a 30 candidatos ao Senado em 24 estados, quase o dobro dos R$ 48,2 milhões destinados pelo PT aos seus 19 candidatos. Dos 15 candidatos ao Senado que mais receberam recursos das direções nacionais dos partidos, nove são do PL.
O movimento também tem concentração regional: nove desses nomes estão no Sudeste, distribuídos entre São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Entre os maiores repasses do PL estão André do Prado (SP), com R$ 6 milhões; Domingos Sávio (MG), com R$ 5,4 milhões; Carlos Portinho (RJ) e Carlos Jordy (RJ), com R$ 4,75 milhões cada; e João Roma (BA), com R$ 4,5 milhões.
A composição da próxima legislatura será especialmente relevante porque 54 das 81 cadeiras do Senado estarão em disputa, o que representa a renovação de até dois terços da Casa Alta. Cada estado e o Distrito Federal elegerão dois senadores, com mandatos de oito anos. Para o PL, a ampliação da bancada pode aumentar o peso da oposição nas decisões, inclusive nas discussões relacionadas ao Supremo.
Parte dos candidatos apoiados pelo partido também incorporou o impeachment de ministros do STF ao discurso eleitoral. Nomes de outras siglas da oposição defendem a retirada de ministros da Corte, como Marcel van Hattem (Novo-RS), que assinou pedidos de impeachment contra Alexandre de Moraes.
Estratégia da direita também passa por vencer disputa pela Presidência do Senado
Para o cientista político Magno Karl, a eleição de senadores identificados com a direita pode ampliar a capacidade de ação desse grupo, mas não significa, por si só, que haverá maioria para todas as medidas pretendidas.
“Será necessária, inevitavelmente, a construção de maiorias para cada decisão, o que pode exigir acordos com outros grupos políticos. Aprovar uma indicação para o Supremo exige 41 votos, por exemplo, mas condenar um ministro por crime de responsabilidade exige 54. […] Então ‘ter maioria’ precisa vir acompanhado da pergunta: maioria para fazer o quê?”, afirma.
Além da necessidade de um quórum maior para aprovação de pedidos de impeachment, a tramitação dos processos depende da Presidência do Senado. A expectativa do PL é de que, com uma maior bancada de direita a partir de 2027, consiga eleger o presidente da Casa.
Segundo Karl, a Presidência do Senado tem papel decisivo nesse processo porque é responsável por pautar ou não os pedidos de impeachment. “Isso não substitui o julgamento pelo plenário, mas influencia se a questão chegará a ele”, ressalta.
Flávio reforça apelo por voto em nomes da direita para o Senado
Flávio Bolsonaro pretende intensificar nos próximos dias a campanha de 47 aliados na disputa pelo Senado. Além dos candidatos do próprio partido, o senador apoia candidaturas de siglas que integram a aliança eleitoral.
A coalizão estará presente com dois candidatos ao Senado em 19 estados e no Distrito Federal. Em outros sete estados, Flávio apoia apenas um nome. Dos 47 candidatos anunciados, 33 são do PL e 14 pertencem a partidos que integram coligações estaduais, entre eles Republicanos, Novo, MDB, Progressistas, Podemos, PSD, PSDB e União Brasil.
São apenas dois os estados em que o PL não terá candidato próprio e dependerá de uma dupla formada exclusivamente por partidos aliados. “Não tenho dúvida de que a partir de 2027, com essa renovação de dois terços, o Senado será ainda mais de centro-direita”, disse Flávio ao apresentar os candidatos do grupo político.
Para Magno Karl, a estratégia também amplia a dimensão eleitoral das disputas estaduais. “Transformar a disputa pelo Senado em uma resposta ao STF oferece às candidaturas estaduais uma bandeira nacional”, comenta.
Atualmente, o PL tem 15 senadores. Nove deles têm mandato até 2031 e, portanto, não disputam a reeleição neste ano. Outros quatro — Efraim Filho, Sergio Moro, Wellington Fagundes e Wilder Morais — concorrem aos governos de seus respectivos estados.
“Não estamos fazendo uma aventura quixotesca. Estamos ao lado do povo e da maioria do povo brasileiro. Por isso, vamos eleger a maioria no Senado e na Câmara e o presidente da República”, afirmou o senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador nacional da campanha.
Créditos: Gazeta do Povo
Foto: Vittor Sales/Campanha Flávio Bolsonaro
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