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Milei chama ONU de inútil e resposta à pandemia de genocídio e enfatiza reivindicação por Malvinas

No início da sua fala em Nova York, Milei disse que a ONU “tornou-se uma organização inútil, que só serve para alimentar uma casta de parasitas fatalmente arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados”

Gazeta do Povo

23 de setembro de 2026

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Milei chama ONU de inútil e resposta à pandemia de genocídio e enfatiza reivindicação por Malvinas

No início da sua fala em Nova York, Milei disse que a ONU “tornou-se uma organização inútil, que só serve para alimentar uma casta de parasitas fatalmente arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados”

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23 de setembro de 2026

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No seu terceiro discurso na Assembleia Geral da ONU, o presidente da Argentina, Javier Milei, reiterou nesta quarta-feira (23) suas acusações contra a organização e a reivindicação de Buenos Aires pelas Ilhas Malvinas, que se tornou este mês a principal pauta da política externa do seu governo, e acusou órgãos das Nações Unidas de colaborar para o que chamou de “genocídio” na resposta à pandemia de Covid-19.

No início da sua fala em Nova York, Milei disse que a ONU “tornou-se uma organização inútil, que só serve para alimentar uma casta de parasitas fatalmente arrogantes, disfarçados de burocratas bem-intencionados”.

“Aqueles que deveriam garantir a segurança coletiva e os direitos humanos fracassaram na tarefa e, em vez disso, permitiram o caos, a violência e o terrorismo internacional. Os supostos defensores dos direitos humanos acobertaram ditaduras sanguinárias e regimes que apedrejam mulheres em praça pública. Votaram sistematicamente contra Israel enquanto se calavam diante do terrorismo islâmico e de genocídios de cristãos na África”, acusou o presidente argentino.

Em seguida, Milei acusou a ONU de se omitir sobre a situação das Ilhas Malvinas, Geórgia do Sul e Sandwich do Sul, reivindicadas pela Argentina.

“As Malvinas são, para nós, uma causa nacional e também uma prova da distância que pode existir entre as palavras das instituições internacionais e a realidade sobre a qual pretendem atuar”, criticou.

“Hoje, o projeto Sea Lion avança rumo à extração de petróleo na plataforma continental argentina correspondente à Bacia das Malvinas Norte, mediante licenças britânicas que a Argentina rejeita por serem ilegais e ilegítimas. Qualquer atuação nesse sentido, não autorizada pela República Argentina, constitui um ato ilícito, tanto à luz do direito internacional — incluindo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar — quanto do direito interno argentino”, afirmou.

Milei afirmou que a postura da Argentina nessa disputa é “pacífica, prática e efetiva”, mas refutou os argumentos de autodeterminação que o Reino Unido invoca para manter o controle das Malvinas, onde a grande maioria da população deseja que o arquipélago siga sendo um território ultramarino britânico.

“Como esta mesma assembleia determinou em inúmeras resoluções, o princípio da autodeterminação não se aplica neste caso, uma vez que se trata de uma população implantada pela potência ocupante em um território cuja soberania está em disputa. Esse princípio existe para libertar os povos colonizados, não para consagrar situações derivadas da colonização”, disse o presidente argentino.

Mais adiante no discurso, Milei fez as críticas à ONU pela resposta à Covid-19. “Durante a pandemia, organismos vinculados a esta casa sobrepuseram-se às evidências científicas e à soberania das nações, promovendo em todo o mundo políticas de confinamento forçado que destruíram empregos, arruinaram a educação de uma geração inteira de crianças e custaram a vida de milhões de pessoas que morreram sozinhas, sem assistência médica básica”, acusou Milei.

“Onde alguns alegam um erro de política sanitária, nós vemos um experimento global de controle social disfarçado de ciência. E quando um Estado, com viseiras sanitárias, retira o direito de trabalhar, de receber educação e de se despedir de seus mortos — e isso resulta em milhões de mortes evitáveis ​​—, existe uma palavra para definir isso: genocídio”, afirmou.

Ao final do seu discurso, Milei gritou seu bordão: “Viva a liberdade, c*!”.

No início do mês, o presidente argentino anunciou sanções a empresas que explorarem recursos naturais nas Ilhas Malvinas, além da construção de uma base naval integrada na província da Terra do Fogo para aumentar a pressão militar de Buenos Aires nessa disputa.

Na mira do presidente argentino, está o projeto Sea Lion, para a exploração de uma reserva de petróleo localizada 220 km ao norte do arquipélago controlado pelo Reino Unido, mas que a Argentina reivindica como seu território.

O projeto, que deve começar a extrair petróleo em 2028, é desenvolvido pela empresa britânica Rockhopper e pela israelense Navitas.

Nas últimas semanas, o governo Milei também convocou os embaixadores do Reino Unido e de Israel em Buenos Aires para entregar notas formais de protesto, depois que o governo britânico publicou um guia para interessados em investir nas Ilhas Malvinas, alegando que a Argentina não tem jurisdição sobre o arquipélago.

A disputa pelas ilhas no Atlântico Sul motivou uma guerra entre Argentina e Reino Unido em 1982, vencida pelos britânicos.

A nova ofensiva de Milei pelo arquipélago veio dias depois de o presidente americano, Donald Trump, ter falado sobre a possibilidade de reavaliar a posição dos EUA sobre a disputa de Argentina e Reino Unido pelas Malvinas, que atualmente é de neutralidade, mas reconhecendo o controle britânico sobre as ilhas.

Créditos: Gazeta do Povo

Foto: SARAH YENESEL/EFE/EPA

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