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TSE manda Nikolas e Flávio excluírem vídeo que usa crianças para criticar Lula

O prazo expira na noite desta quarta-feira (14). Até a manhã do mesmo dia, os conteúdos ainda estavam disponíveis. Em caso de descumprimento, as próprias plataformas terão outras 24 horas para remover os vídeos

Gazeta do Povo

14 de outubro de 2026

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TSE manda Nikolas e Flávio excluírem vídeo que usa crianças para criticar Lula

O prazo expira na noite desta quarta-feira (14). Até a manhã do mesmo dia, os conteúdos ainda estavam disponíveis. Em caso de descumprimento, as próprias plataformas terão outras 24 horas para remover os vídeos

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O ministro do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) Marco Aurélio Bellizze deu 24 horas para que o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) removam, de quatro endereços em redes sociais diferentes – Instagram, Facebook, X e WhatsApp – um vídeo que utiliza crianças para tecer críticas ao governo do presidente Lula (PT).

O prazo expira na noite desta quarta-feira (14). Até a manhã do mesmo dia, os conteúdos ainda estavam disponíveis. Em caso de descumprimento, as próprias plataformas terão outras 24 horas para remover os vídeos. O ministro, no entanto, se negou a proibir publicações com conteúdo “substancialmente idêntico ou equivalente”, por entender que uma vedação genérica colocaria em risco a liberdade de expressão.

A publicação aproveitou o Dia das Crianças para substituir Nikolas em um formato já conhecido, em que o parlamentar utiliza uma camisa preta em um fundo preto. O deputado inicia, mas logo em seguida coloca uma criança em seu lugar. Em seguida, outras crianças aparecem falando sobre dificuldades econômicas, criminalidade e medo do futuro.

“Por favorzinho, arrume outro jeito de estragar sua vida, porque voltando pro PT, você estraga a minha também”, diz uma das participantes, ao final.

A tese que obteve a decisão favorável é a de “desinformação de segunda geração”. Aqui, diferentemente de uma afirmação falsa, haveria “a associação entre fatos e uma construção textual eleitoralmente negativa, sem que as premissas sustentem a conclusão sugerida”. Bellizze citou um precedente que reconheceu a possibilidade de sanção com base neste conceito.

“O precedente não determina automaticamente o resultado desta representação, mas confirma a possibilidade de intervenção pontual quando, examinada em seu contexto, a apresentação do conteúdo ultrapassa a crítica política legítima e é apta a induzir o eleitorado a conclusão sem suporte suficiente”, completou.

Para o relator, o vídeo de Nikolas “ultrapassa a barreira do razoável”, tentando atingir psicologicamente o eleitor, “aproveitando-se da exploração inadequada da inocência infantil”.

“As crianças não aparecem apenas em registro incidental de fato público: suas falas constituem o principal recurso narrativo para transmitir imputações políticas e influenciar o eleitorado. A utilização de suas imagens e vozes para esse fim, em uma mensagem eleitoral negativa que veicula alegações cuja veracidade é contestada, suscita preocupação à luz da proteção integral e do melhor interesse da criança”, pontua.

A campanha de Lula pediu a comunicação ao Ministério Público para apurar possível constrangimento a criança ou adolescente, crime previsto no Estatuto da Criança e do Adolescente. O ministro, porém, não determinou a comunicação.

Precedentes

No segundo turno das eleições de 2018, surgiu um vídeo com crianças repetindo frases controversas do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O TSE mandou remover o vídeo, também em 24 horas. Em resposta, a campanha de Jair Bolsonaro produziu um vídeo com crianças criticando o PT. O conteúdo não foi alvo de restrição judicial.

Naquele ano, a Sociedade Paranaense de Pediatria divulgou uma nota de repúdio contra o vídeo com as frases de Bolsonaro. A entidade argumentava que as crianças e os adolescentes não têm como avaliar as consequências do que fazem, pelo que deveriam ser protegiadas em sua vulnerabilidade.

O TSE já adotou entendimento diferente em 2022. Naquelas eleições, Bolsonaro voltou a utilizar a estratégia, com um vídeo em que as crianças pediam votos diretamente. A então candidata Soraya Thronicke pediu ao TSE que a propaganda fosse suspensa. O relator, ministro Paulo de Tarso Sanseverino negou, sob a justificativa de que a participação das crianças estava protegida pela liberdade de expressão. A decisão foi confirmada pelo plenário.

No mesmo ano, a campanha de Lula exibiu no horário eleitoral um programa dedicado ao público infantil, com o então candidato interagindo com crianças e criticando políticas do governo Bolsonaro.

A Gazeta do Povo entrou em contato com o gabinete de Nikolas Ferreira. O espaço segue aberto para manifestação.

Créditos: Gazeta do Povo

Foto: Reprodução/X/Nikolas Ferreira

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