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Economia
A ESCALA 6X1 TEM QUE ACABAR
Recentemente, autoridades parlamentares, especialmente aquelas ligadas à esquerda, começaram a movimentar uma proposta para acabar com a jornada de trabalho na escala 6x1
João Fernando Silva
17 de abril de 2026
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Economia
A ESCALA 6X1 TEM QUE ACABAR
Recentemente, autoridades parlamentares, especialmente aquelas ligadas à esquerda, começaram a movimentar uma proposta para acabar com a jornada de trabalho na escala 6x1
João Fernando Silva
17 de abril de 2026
Mais uma bomba estourou no colo de quem trabalha e de quem produz neste país. Recentemente, autoridades parlamentares, especialmente aquelas ligadas à esquerda, começaram a movimentar uma proposta para acabar com a jornada de trabalho na escala 6×1. O grande problema é que, como acontece quase sempre no Brasil, começaram a falar sobre isso sem ter feito qualquer tipo de pesquisa séria ou estudo aprofundado antes. Agora é que algumas instituições estão correndo atrás de estudos, enquanto praticamente todos os setores da economia demonstram uma preocupação legítima. Essa tentativa de empurrar uma Proposta de Emenda à Constituição goela abaixo, sem critério técnico, será um golpe duríssimo, e vai prejudicar imensamente o comércio e o varejo.
Uma vez mais, os maiores perdedores nessa história serão a força de trabalho e o empresariado. Não tem como fugir disso, pois o resultado imediato será uma onda de demissões. Eu mencionei isso recentemente no programa Resenha de Mercado e também publiquei no meu Instagram, o que me rendeu uma série de críticas. Mas a verdade precisa ser dita com base na realidade. Existem três tipos de países no mundo hoje. Primeiro, temos os países europeus, que trabalharam muito no passado, ficaram ricos e hoje possuem um estado que abocanha uma fatia enorme dessa riqueza para oferecer bem-estar social. Em segundo lugar, temos países como a China e os Estados Unidos, que também trabalharam muito, enriqueceram, mas não tiraram o pé do acelerador. Eles continuam sendo os motores do planeta, criando riqueza e enriquecendo suas populações.
Por fim, temos o Brasil. Nós não enriquecemos e, se pegarmos a média, não somos o país que mais trabalha no mundo. O problema é que queremos viver um bem-estar social que nunca conquistamos, muito por conta da classe política, que é o nosso reflexo. É importante deixar claro que isso não é um problema do trabalhador. Eu tenho autoridade para falar sobre esse assunto porque venho do varejo e estou nele há vinte e seis anos. O trabalhador brasileiro é o povo que mais trabalha no planeta e o empreendedor brasileiro é o melhor empreendedor do mundo. Para ser empresário no Brasil, a pessoa precisa ser muito boa. O problema é que temos um estado que está o tempo todo nos amarrando e nos segurando. O que está prestes a acontecer é mais um golpe onde o trabalhador é quem vai sofrer as consequências na ponta final.
Muitas vezes me perguntam se quem empreende no Brasil consegue empreender em qualquer lugar do mundo. A resposta é um sim absoluto. Se você observar os gestores brasileiros que estão no exterior hoje, eles são vistos como profissionais que dominam o mercado. Isso acontece porque o brasileiro vive em um lugar hostil. O sujeito que consegue abrir e manter um negócio no Brasil está preparado para fazer isso em qualquer lugar da terra. No entanto, o cenário atual só piora com fatores agravantes. Além dessa discussão da escala 6×1, temos leis que impactam o mercado de trabalho de forma negativa, como certas legislações recentes que, em vez de protegerem as mulheres, acabam sendo piores para elas e dificultam sua inserção no mercado.
Somado a isso, temos novas determinações que exigem que o empregador se responsabilize integralmente pela saúde mental dos funcionários. Se o empregado ficar estressado por qualquer motivo, a culpa pode recair sobre o patrão. O Brasil já detém recordes mundiais em diversas estatísticas negativas, inclusive em casos de burnout e
estresse relacionado ao trabalho. Mas se formos analisar o que realmente estressa o trabalhador, veremos que o maior peso não é a cobrança por metas do chefe. O maior estresse do trabalhador brasileiro é ver que o seu salário não é suficiente para comprar comida. Isso acontece em parte, porque ele trabalha cinco meses do ano apenas para sustentar o seu sócio majoritário, que é o estado. O governo leva cinco meses do suor do trabalhador e não entrega absolutamente nada em troca.
Estamos sufocando as empresas de forma crescente. O que o Brasil precisa é de mais trabalho e não de redução de jornada. A solução para isso seria muito simples se seguíssemos o modelo dos Estados Unidos ou de vários países da Europa. O sistema deveria ser baseado na liberdade: se você quer trabalhar três horas, trabalha três horas; se quer trabalhar doze horas, trabalha doze horas. Mas por que isso não é feito no Brasil? Porque isso tiraria o controle das mãos do estado. O governo não quer perder o controle sobre o trabalhador e sobre a população em geral.
O impacto dessa mudança na escala 6×1 será devastador para os empregadores e vai alimentar ainda mais a indústria do processo trabalhista. É uma insanidade o que vivemos aqui. Se você somar todos os processos trabalhistas do mundo inteiro, noventa e cinco por cento deles estão concentrados dentro do Brasil. Isso é um dado assustador. Falando em impacto financeiro, a Associação Brasileira de Shopping Centers aponta que os cerca de setecentos shoppings do país sofrerão um impacto de treze bilhões de reais em um ano caso essa reforma avance.
Entramos em 2026 com empresas extremamente enfraquecidas e descapitalizadas. Os dados de janeiro mostram que o Brasil tinha oito milhões e setecentas mil empresas com registros negativos de crédito. O nível de inadimplência corporativa é altíssimo. Em 2025, quase duas mil e quinhentas empresas recorreram à recuperação judicial, um número treze por cento maior do que em 2024. A conta simplesmente não fecha. O empresário está sendo sufocado pelo estado.
Eu me lembro de algo que um supervisor meu dizia e que ilustra perfeitamente o momento atual. Imagine que você tem um saco de arroz. Você tem duas opções: ou você planta esse arroz para colher muito mais no futuro, ou você come o saco de arroz e morre de fome depois. O que o estado brasileiro está fazendo hoje é comendo o saco de arroz. Ele está esmagando o empresário, que é justamente quem sustenta o estado. Eu estou no mercado financeiro há quinze anos e no varejo há vinte e seis anos, e posso dizer que nunca vi nada parecido com o que está acontecendo agora. Tenho clientes importantes, que estão comigo há vinte anos e nunca atrasaram um pagamento ou tiveram um título protestado, que agora estão em dificuldades.
A situação que estamos atravessando é pior do que a enfrentada na época da Dilma. Estamos em um momento mais crítico, mas muitas pessoas ainda não perceberam a gravidade. Quem entende de mercado, quem entende de investimentos e tem contatos, já está tirando o dinheiro do Brasil. O empresário que tem poder de reação está levando sua operação para o Paraguai. É assim que estamos arruinando o nosso país. E não adianta querer culpar o governo anterior, a pandemia ou a guerra. Esses problemas existem no mundo todo, mas parece que só aqui eles servem de desculpa para tudo enquanto os vizinhos seguem em frente.
Existe um problema estrutural na nossa política e na nossa macroeconomia que precisa de mudanças urgentes. No entanto, é difícil acreditar que essa mudança virá agora. O sistema brasileiro é fechado e projetado para que a oligarquia que está no topo controle tudo.
O governo anterior, que tinha uma visão mais liberal, tentou fazer muita coisa, mas não conseguiu realizar nem dez por cento do planejado porque o sistema não permitiu. Se não mudarmos esse rumo agora, o futuro nos reserva uma divisão social perversa. A classe média, que é o pilar de sustentação do Brasil, vai acabar. Teremos apenas duas classes: os indigentes de um lado e a oligarquia no topo do outro, seguindo o modelo de países como Venezuela e Cuba. Temos exemplos disso no mundo todo e o caminho que estamos trilhando hoje nos leva exatamente para esse colapso.
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