Economia

Banco de Edir Macedo adotou prática semelhante ao Master, aponta investigação

A apuração aponta que o banco ligado ao pastor Edir Macedo usava títulos como CDBs com rentabilidade acima do mercado e inflava ativos para mascarar a real situação financeira

Gazeta do Povo

24 de junho de 2026

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Banco de Edir Macedo adotou prática semelhante ao Master, aponta investigação

A apuração aponta que o banco ligado ao pastor Edir Macedo usava títulos como CDBs com rentabilidade acima do mercado e inflava ativos para mascarar a real situação financeira

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A investigação da Polícia Federal que levou à deflagração da Operação Miragem contra o Banco Digimais, na terça-feira (23), aponta que a instituição adotou um modelo de operação financeira semelhante ao do liquidado Banco Master para atrair investidores e sustentar resultados artificiais. A apuração aponta que o banco ligado ao pastor Edir Macedo usava títulos como CDBs com rentabilidade acima do mercado e inflava ativos para mascarar a real situação financeira.

Segundo os investigadores, o banco emitia Certificados de Depósito Bancário com taxas superiores a 110% do CDI, criando uma sensação de ganho elevado com apoio da garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Esse modelo de captação vinha acompanhado de distorções contábeis, com superavaliação de ativos e manipulação de balanços.

“O Banco Digimais, sob o controle de Edir Macedo, adotou práticas financeiras temerárias e estreitamente análogas às do extinto Banco Master”, pontuou o relatório da Polícia Federal.

O Banco Digimais negou irregularidades e afirmou que “permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso” (veja na íntegra mais abaixo).

Entre os exemplos de superavaliação de ativos citados no relatório estão títulos antigos reavaliados em centenas de milhões de reais sem lastro compatível com o mercado. Também há registros de terrenos e carteiras de ativos com valores inflados de forma significativa, chegando a discrepâncias superiores a dez vezes o valor real estimado.

“Precificação de títulos antigos e sem valor da Vale em R$ 650 milhões, a avaliação de um terreno em Pernambuco por R$ 150 milhões quando o seu valor real seria inferior a R$ 10 milhões, e a marcação de uma carteira de automóveis em R$ 3,5 bilhões”, aponta o relatório.

Em outro trecho, a investigação aponta que fundos internos foram utilizados para inflar artificialmente o patrimônio do banco, com registros contábeis que multiplicavam o valor real dos ativos. A Polícia Federal afirma que essa estrutura teria sido usada para melhorar indicadores financeiros e sustentar a captação baseada em confiança do investidor.

Estratégia com FGC

O relatório destaca ainda que o banco teria usado o FGC como principal estratégia de captação, reforçando a percepção de baixo risco mesmo com sinais de fragilidade nos balanços. Esse modelo, segundo a Polícia Federal, se aproxima diretamente do praticado pelo Banco Master, que também oferecia retornos elevados com forte apelo à garantia.

“Aproveitando a assimetria de informação e a confiança dos depositantes na proteção institucional, a diretoria do Banco Digimais replicou a prática de superavaliar ativos mediante a emissão de títulos com rentabilidades desproporcionais aos indicadores de mercado, efetuando manipulações nos balanços com o objetivo de ocultar dos órgãos de controle a deterioração da sua carteira de crédito”, pontuou a Polícia Federal.

A Operação Miragem cumpriu mandados de busca e apreensão, bloqueio de bens e quebra de sigilos bancário e fiscal. O valor bloqueado chega a R$ 670,3 milhões, equivalente às supostas distorções identificadas nos balanços do banco.

A Polícia Federal investiga crimes como gestão fraudulenta, falsidade em demonstrações contábeis e operações de crédito vedadas, além de possível indução de investidores a erro.

O que dizem os citados

Veja abaixo o que disse o Banco Digimais sobre a operação e a investigação da Polícia Federal:

Em relação à operação da Polícia Federal desta manhã o Banco Digimais informa que permanece à disposição das autoridades para prestar quaisquer esclarecimentos e colaborar com as apurações em curso. A instituição reafirma seu compromisso com a transparência, a conformidade regulatória e a plena colaboração com as autoridades competentes.

Créditos: Gazeta do Povo

Foto: reprodução/Facebook Edir Macedo (ampliada com inteligência artificial)

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