Notícias Brasil

Bolsonaro terá recuperação delicada e novas aderências podem se formar no futuro

Esta é a avaliação da equipe médica que o atende em Brasília após a intervenção de quase 12 horas a que foi submetido neste final de semana, e que teve o quadro atualizado na manhã desta segunda (14)

Gazeta do Povo

14 de abril de 2025

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Bolsonaro terá recuperação delicada e novas aderências podem se formar no futuro

Esta é a avaliação da equipe médica que o atende em Brasília após a intervenção de quase 12 horas a que foi submetido neste final de semana, e que teve o quadro atualizado na manhã desta segunda (14)

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14 de abril de 2025

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A recuperação do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) será delicada e novas aderências intestinais podem se formar no futuro, mas não se espera que ele deve ser submetido a uma nova cirurgia no curto prazo. Esta é a avaliação da equipe médica que o atende em Brasília após a intervenção de quase 12 horas a que foi submetido neste final de semana, e que teve o quadro atualizado na manhã desta segunda (14).

De acordo com o médico Cláudio Birolini, chefe da equipe cirúrgica que atendeu o ex-presidente no Hospital DF Star, Bolsonaro ficará internado na UTI por mais alguns dias recebendo alimentação na veia até que as funções intestinais sejam restabelecidas. Não há previsão de alta, mas a expectativa é de 15 dias de internação.

Segundo ele, a cirurgia foi bastante complexa devido a todos os procedimentos realizados anteriormente desde que sofreu a facada em 2018 em Juiz de Fora (MG) durante a campanha eleitoral — esta foi a sétima intervenção cirúrgica. Isso porque as cirurgias provocaram graves danos na parede abdominal, que precisou ser reconstituída, assim como as várias aderências encontradas em todo o intestino dele.

“O intestino dele estava sofrido, ele já vinha com esse quadro há alguns meses, o que se reflete por várias intervenções que teve, o que também contribuiu para a tomada da decisão [da cirurgia]”, disse.

Birolini pontuou a situação do abdome do ex-presidente como “hostil” e “bastante danificado”, enquanto que o médico que acompanha Bolsonaro, Leandro Echenique, classificou como das mais complexas.

“Claro que o procedimento de grande porte, com 12 horas de duração, implica em alguns cuidados muito específicos do pós-operatório, da parte clinica, que vamos acompanhar nos próximos dias. […] Não houve nenhuma complicação, realmente foi o que era esperado, um procedimento muito complexo”, ressaltou.

De acordo com ele, as 48 horas após a cirurgia são as que demandam mais atenção por conta de “intercorrências” que podem surgir, como risco de infecções, trombose, coagulação do sangue, pressão alta, entre outras. Por isso, afirmou, é que Bolsonaro permanecerá na UTI sem previsão de alta.

Como foi a cirurgia de Bolsonaro

Birolini explicou que a primeira avaliação feita em Bolsonaro ainda em Natal, onde cumpria agenda com aliados na sexta (11), era estável, mas que o quadro foi se agravando ao longo do sábado (12) com o quadro de “distensão abdominal, um desconforto abdominal persistente” e a “elevação dos marcadores inflamatórios”. Foi então que a equipe médica optou por transferi-lo a Brasília para a realização de novos exames.

“Foi repetida a tomografia que mostrou que ele mantinha um quadro de distensão abdominal apesar de quase 48 horas de tratamento clínico”, disse.

O médico explicou que a situação do abdome de Bolsonaro era bastante hostil por conta das cirurgias anteriores e que a parede abdominal estava bastante danificada por conta da facada e dos procedimentos prévios. Apenas a abertura para acessar a parte interna do abdome, relatou, durou cerca de duas horas.

Após a abertura, foram mais quatro a cinco horas para a liberação das aderências “de forma milimétrica, centímetro por centímetro” em todo o intestino dele.

“O intestino dele estava bastante sofrido. […] O intestino dele foi revisto do início até o final para que não ficasse escondida nenhuma lesão desapercebida. O intestino foi reposicionado de forma ordenada na cavidade abdominal e nós reconstruímos a parede da forma que consideramos a mais adequada no momento”, explicou Cláudio Birolini.

Entenda o que aconteceu

A crise de saúde teve início na sexta-feira (11), quando Bolsonaro sentiu fortes dores abdominais e procurou atendimento em Santa Cruz (RN). De lá, foi transferido para o Hospital Rio Grande, em Natal, e posteriormente levado à capital federal em uma UTI aérea no sábado (12), onde foi internado e operado no dia seguinte.

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro acompanhou de perto a evolução do quadro e comunicou pelas redes sociais o término da cirurgia.

“Cirurgia concluída com sucesso! A Deus, toda honra e toda glória!”. Ela também informou que as atualizações oficiais sobre a saúde do ex-presidente devem ser acompanhadas apenas pelos perfis dela, dos filhos e do PL.

A opção por Brasília, em vez de São Paulo, como sugerido por aliados, foi uma decisão de Michelle. Segundo boletim médico divulgado às 10h30 de domingo, Bolsonaro foi submetido a uma laparotomia exploradora — procedimento indicado para liberar aderências e reconstruir a parede abdominal. A intervenção foi decidida após exames constatarem uma oclusão intestinal.

Em postagem feita no sábado (12), antes da cirurgia, Bolsonaro classificou o atual episódio como o mais grave desde o atentado a faca sofrido em 2018 em Juiz de Fora (MG), durante a campanha presidencial. Desde então, esta foi a quinta cirurgia abdominal à qual foi submetido.

Durante o domingo, apoiadores do ex-presidente fizeram vigília em frente ao hospital. A senadora Damares Alves (Republicanos-DF) esteve no local, e o PL divulgou nota pedindo orações pela recuperação de Bolsonaro.

Créditos: Gazeta do Povo

Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil / arquivo

 

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