- Inicio
- Notícias Brasil - Política
- Como reformar um país
Notícias Brasil
Como reformar um país
Intervenção conservadora se faz por meio de reformas e não rupturas ou revoluções
Amir Kanitz
20 de março de 2024
- Inicio
- Notícias Brasil - Política
- Como reformar um país
Notícias Brasil
Como reformar um país
Intervenção conservadora se faz por meio de reformas e não rupturas ou revoluções
Amir Kanitz
20 de março de 2024
Eu sou um conservador, e adoto o conservadorismo como um posicionamento que me guia pelo princípio da prudência, tal como definiu Russell Kirk em seu decálogo do conservadorismo. O que uso não é um discurso, mas um método sobre como intervir em questões públicas.
Me coloco frontalmente contra ideias que se pintam de conservadoras, mas que na verdade anseiam por rupturas e revoluções. Conservador que sou, uso por princípio a reforma como receita para o aprimoramento institucional, por saber que não há possibilidade de criarmos arranjos perfeitos e definitivos para as coisas públicas, muito menos impondo medidas radicais de cima para baixo. Sigo, desse modo, o que Kirk chamou de “preceitos consagrados pelo uso”, isto é, reconheço que as coisas são como são por responderem a uma série de situações enfrentadas em todo o lugar onde há gente nesse mundo. Eu sei e aceito que mudanças acontecem. A questão que se coloca é sobre o jeito que as mudanças devem ocorrer. E eu acredito que é por meio de reformas.
Isso significa que as intervenções devem ser pontuais, refletindo valores e anseios que verdadeiramente representam a sociedade, sem induzir transformações totais invocadas por uma elite política desconectada do povo ou por tecnocratas com o olhar voltado para dentro do Estado.
Mas, qual é o papel de um conservador na condução das reformas?
Para ilustrar minha explicação vou me valer de exemplos dos EUA, onde o associativismo produziu efeitos não apenas no desenvolvimento social – como apontou Tocqueville – mas, também na forma de resistir ao crescimento vegetativo do Estado frente à sociedade.
Grover Norquist é um ativista político que luta pela redução de impostos nos EUA – que significa fazer bem mais do que postar insistentemente que “imposto é roubo!” nas redes sociais. Ele preside a ATR – American for Tax Reform (Americanos pela Reforma Tributária), criada em 1985.
Norquist sempre deixou muito claro nas oportunidades que teve de expor publicamente a extensão desse ativismo, que de forma alguma o objetivo de sua luta seria a busca por um líder destemido capaz de virar o jogo. A ATR não precisa de um líder político que os indique uma direção. São eles que sabem para onde ir, e indicam aos representantes o caminho que estes devem tomar. Eles apenas precisam de políticos para assinar e votar conteúdos elaborados pela própria associação. Norquist diz que nas eleições “basta escolher um republicano com dedos capazes de segurar uma caneta e, pronto, missão cumprida”. Apesar de ser uma fala um tanto debochada, é de uma clareza gigantesca quanto ao papel da sociedade civil organizada e dos agentes políticos representativos.
Mas, há outro componente fundamental nesse processo de reforma do Estado capitaneada pela sociedade, que consiste em proporcionar educação política para formar os agentes da reforma.
Nos EUA, republicanos reúnem doadores ricos para criar fundações e think tanks que atuam fora do circuito universitário progressista, de modo a formar verdadeiras bibliotecas inteiras de obras populares e estudos políticos capazes de influenciar e referenciar políticas públicas. Todos os anos são organizados acampamentos de verão em que estudantes universitários podem ler desde Aristóteles, passando por Alexander Hamilton e Friedrich von Hayek, até os mais recentes teóricos das escolas conservadoras e liberais, para aprenderem a associá-los, criando uma sólida base de pensamento. Também foram criados muitos grupos de leitura para professores, que são pagos para comparecer.
A ATR financiou estudos de alunos de pós-graduação e os empregaram como aprendizes de professores aprovados pelo movimento. Mas, não pararam por aí, e também financiam jornais universitários e organizações nacionais como a Federalist Society, que tem como objetivo desafiar as ideologias de esquerda nas universidades de direito frequentadas pela elite americana, além de funcionar como agência de emprego para advogados jovens à procura de estágio e magistério.
Essa mesma Federalist Society revolucionou a maneira de ensinar e interpretar o direito no país, e, por conta disso, a própria maneira como o país é governado.
Até o cientista político autodeclarado de esquerda, Mark Lilla, analisa a Federalist Society com muita frieza e reconhece que, os “pais do movimento, alguns dos quais tinham sido trotskistas, compreenderam intuitivamente que para provocar mudanças duradouras o movimento teria que formar e manter pessoas, e despachá-las com mochilas cheias na longa marcha através das instituições”.
O leitor que pretende ser um conservador de fato e não apenas de manifestações, já entendeu que não é coerente professar essa afinidade política e ao mesmo tempo esperar uma mudança radical nas instituições de um país. Nem tampouco é apropriado a um conservador pensar que políticos podem realizar algo bom e representativo sem que a elite do país se dedique – com tempo, dinheiro e recursos humanos – a criar os meios intelectuais para realizar boas mudanças.
E para quem ainda acha que rupturas são mais efetivas que reformas, pois que rompa então com os limites mentais aos quais nós brasileiros nos apegamos, e trate de produzir uma elite dirigente que possa também romper com as más práticas institucionalizadas neste país, e subsidiar os agentes políticos com ideias úteis para reformar e aprimorar desde a estrutura estatal até os procedimentos e serviços públicos.
Nós, conservadores, aceitamos mudanças e até as promovemos, mas isso precisa acontecer da forma correta, legítima e duradoura. Por isso, resumo aqui os passos dessa empreitada, que são: entender que a intervenção conservadora se faz por meio de reformas e não rupturas ou revoluções; que a organização necessária para isso é privada, e a função das organizações é criar a estrutura que dissemine conhecimento para capacitar uma elite dirigente; e só então teremos o material humano necessário para iniciar a “longa marcha através das instituições”, ou andaremos sempre por fora delas. Capisce?
Últimas Notícias
Pai de Vorcaro pede a Fachin que destrave processo e reveja prisão preventiva
O caso Master era relatado pelo ministro André Mendonça, mas Fachin encaminhou o processo à presidência da Corte diante da crise interna no STF, paralisando a tramitação
Após gerar R$ 3,5 bilhões em performance fiscal para transportadoras, Rumo Brasil mira triplicar sua carteira de clientes e dobrar o faturamento em 2026
Companhia, que atende oito das dez maiores empresas do agronegócio do país, ampliou a atuação para apoiar na adaptação à Reforma Tributária
Primavera dos Museus movimenta espaços culturais de Cascavel
Programação "Museus para Todas as Pessoas" reúne acessibilidade, música, cinema, dança e memória
Siga nos
Leia também
O caso Master era relatado pelo ministro André Mendonça, mas Fachin encaminhou o processo à presidência da Corte diante da crise interna no STF, paralisando a tramitação
O ministro afirmou que o Judiciário vive seu momento mais corrupto, gerando reações das entidades que defendem a integridade da categoria e criticam a generalização de casos que deveriam ser tratados de forma individual
A fala ocorre um dia depois de Cármen Lúcia pedir desculpas ao povo brasileiro durante o julgamento realizado pelo STF na terça-feira (15). A sessão terminou sem uma conclusão sobre o relatório que aponta uma relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes
O petista disse que Flávio tenta relacioná-lo ao ministro e afirmou que a reação contra Moraes estaria ligada à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e às decisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023
A manifestação foi uma reação à sessão extraordinária que terminou sem uma definição sobre investigar ou não o ministro Alexandre de Moraes
Em outra postagem Lula escolheu a imagem de um cemitério durante a pandemia e em outra, uma fila de pessoas em uma agência de emprego, com duas fotografias de Bolsonaro para vincular os assuntos
A reunião ocorre em meio à estratégia do petista de ampliar a aproximação com o eleitorado evangélico, segmento no qual pesquisas frequentemente apontam vantagem de Flávio Bolsonaro (PL)