Economia

CUIDADO COM OS TÍTULOS PÚBLICOS

Título público é, sim, renda fixa, se você levar o papel até o final. Caso contrário, você pode, sim, perder dinheiro na chamada marcação a mercado

Foto de João Fernando Silva

João Fernando Silva

19 de novembro de 2025

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CUIDADO COM OS TÍTULOS PÚBLICOS

Título público é, sim, renda fixa, se você levar o papel até o final. Caso contrário, você pode, sim, perder dinheiro na chamada marcação a mercado

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João Fernando Silva

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Tudo bem com você investidor? Hoje, o papo é reto e fundamental para quem opera ou está começando no mercado financeiro: Títulos Públicos.

Eu vou começar dando uma introdução sobre vários investimentos, mas precisamos “engrossar um pouquinho mais o caldo” nos títulos.

Quando eu comecei a investir, o meu primeiro movimento foi exatamente nos títulos públicos brasileiros. A gente fala muito de renda fixa, né? Mas temos que desmistificar isso de cara. Título público é, sim, renda fixa, se você levar o papel até o final. Caso contrário, você pode, sim, perder dinheiro na chamada marcação a mercado.

A Grande Diferença: Pós-fixado vs. Pré-fixado no Brasil

Nós vamos destrinchar um pouquinho sobre esses títulos. Eu já adianto para vocês qual tipo eu gosto e qual eu não gosto. Eu, particularmente, nunca comprei NTNB e sempre comprei título atrelado à Selic. E por que essa preferência pela Selic? Porque ela compreende a nossa taxa básica de juros, que é o parâmetro interbancário para todas as taxas de juro do país.

O nosso país, pessoal, é um mercado instável. E em mercados instáveis, a estratégia é clara: investimos no título pós-fixado, e não no pré-fixado, na minha visão.

Pensa comigo no cenário do título pré-fixado (ou o híbrido IPCA+), onde ele coloca lá o IPCA mais um rendimento. Se a inflação explodir, como já aconteceu aqui no Brasil, você vai tomar uma baita de uma fumada. O Brasil, historicamente, é um país mais instável, e por isso temos muito mais títulos atrelados ao pós-fixado (taxa Selic) do que ao pré-fixado.

Se você comprar um título pré-fixado, que é de longo prazo, e a inflação explodir para 15%, por exemplo, você vai começar a perder dinheiro. É muito complicado, já que a nossa taxa de juro, no Brasil, muitas vezes tende a aumentar. Por isso, toma muito cuidado.
Já o Tesouro Selic (que é pós-fixado) segue a Selic. Se a Selic for para 40%, o seu título vai pagar 40%, porque ele é atrelado à taxa. A maioria dos investidores gringos que vêm para o Brasil coloca o dinheiro na Selic. Por isso, aqui no Brasil, eu invisto em Selic.

O Risco da Impressora: Por que o Pós-fixado protege

Aqui entra um ponto crucial para quem investe: o governo possui um monopólio de emissão de moeda, o que, teoricamente, garante que ele honrará seus compromissos. Algumas pessoas dizem: “O governo nunca vai dar calote porque ele tem a impressora, ele pode imprimir dinheiro e te pagar”. Sim, ele pode.

Mas aí reside o perigo do pré-fixado: se o governo não arrecada mais, tem problemas e precisa imprimir dinheiro para te pagar, o que acontece? Essa impressão gera uma inflação gigantesca. Ele vai te pagar, mas o que ele vai te pagar, você não vai conseguir ganhar da inflação se isso acontecer, e sim, no Brasil tudo pode acontecer.

Se você comprou um título pré-fixado (como um IPCA + 5%) e a inflação explode, seus ganhos reais são corroídos. No título Selic, se o governo precisar imprimir dinheiro, você vai acompanhar esse crescimento porque ele é atrelado à taxa básica. É por isso que eu tenho Selic aqui no Brasil, e é por isso que temos que tomar esses cuidados.

O Mecanismo: Tesouro Direto e o Empréstimo ao Governo

O que são, afinal, títulos públicos? Eles são instrumentos de renda fixa. Eles são emitidos pela Secretaria do Tesouro Nacional. Quando você compra um título, você está emprestando dinheiro para o governo federal. Ou seja, (em outras palavras, você está emprestando dinheiro para você mesmo), já que somos pagadores de impostos.

O governo utiliza esses recursos para financiar atividades essenciais como saúde, infraestrutura e segurança, é a famosa dívida que é rolada dentro do país. Os títulos públicos são considerados os investimentos com menor risco de crédito no Brasil. Não que eles não tenham risco, mas esse risco é minimizado, especialmente porque a dívida brasileira é majoritariamente em Real, o que traz uma certa estabilidade.

O processo é simples através do Tesouro Direto, um programa que democratizou o acesso aos títulos públicos em 2002. Antes disso, as pessoas físicas quase não tinham acesso, pois o valor era muito alto.

Hoje, você abre conta na corretora (o que é tão fácil quanto abrir conta em um banco digital) e pode investir com um valor acessível; o investimento mínimo é de R$ 30. Você compra uma fração do título, permitindo que qualquer pessoa comece a investir.

A liquidez é diária, o que é um ponto forte. O governo garante a recompra do título todos os dias.

Marcação a Mercado e Sua Estratégia

A marcação a mercado é crucial. Mesmo com liquidez diária (D+1 ou D+2), se você resgatar antecipadamente, está sujeito a ela.
Se você comprou um título pré-fixado com uma taxa de juro X e essa taxa cair, seu título se valoriza (marcação positiva). Mas se a taxa subir, seu título desvaloriza, e você vai ter que levar ele até o final se não quiser ter prejuízo. É por isso que, para evitar perdas, a dica é manter seus investimentos até o vencimento sempre que possível.

Para quem está começando e não tem experiência nenhuma no mercado, eu sugiro a seguinte sequência de ativos para começar: primeiro, o Tesouro Direto.

Você deixa o dinheiro rendendo ali enquanto estuda o mercado. Depois, você pode ir para uma coisa mais sofisticada, como os fundos imobiliários. Eu mesmo fiquei cinco anos investindo no Tesouro Direto e estudando o mercado antes de partir para outros ativos.
Tributação (O Fisco Sempre de Olho)

Quando falamos de mercado financeiro, a tributação é um ponto importante. Os ganhos com juros e a diferença entre compra e venda dos títulos são tributados pelo Imposto de Renda.
Isso segue uma tabela regressiva que favorece o longo prazo:
• Até 180 dias: 22,5%.
• Até 360 dias: 20%.
• Até 720 dias: 17,5%.
• Acima de 720 dias: 15%.

É fundamental lembrar, pessoal, que o IR incide sobre o ganho de capital (a valorização), e não sobre o montante total investido.
Além disso, o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) é cobrado apenas se você resgatar o título nos primeiros 30 dias após a aplicação. Essa alíquota é regressiva e bastante penalizadora para resgates muito rápidos.

Embora eu goste da Selic no Brasil, eu sou a favor de você ter pelo menos 70% dos teus investimentos fora do Brasil. (Não é recomendação) A gente vai falar sobre isso em uma próxima conversa, mas é importante você entender que o mercado de títulos é uma porta de entrada segura (sempre entre aspas, claro) para o mundo dos investimentos.

Não se meta em ações ou em Bitcoin sem entender bem o que está fazendo. Primeiro, entenda o mercado, e aí, conforme você for pegando experiência, você diversifica. Na minha forma peculiar e pessoal de investir, não existe título pré-fixado no Brasil. Quase metade do que eu tenho investido fora, por exemplo, está em título americano, só que daí é título pré-fixado. A diferença está na estabilidade do mercado.

Lembre-se: desenvolva sua própria forma de investir. Você tem que criar uma metodologia, uma estratégia sua de como vai investir, seja no pré-fixado, no pós-fixado ou no híbrido. Mas para quem está começando, o Tesouro Selic é o título ideal, garantindo segurança e liquidez.

O mercado de títulos é como uma biblioteca de empréstimo: você empresta seu dinheiro para o governo financiar projetos importantes e recebe de volta com juros. É acessível e uma excelente porta de entrada.

Um grande abraço e valeu!.

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