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Dallagnol: 'Hoje nenhum político corrupto tem medo de ir para a cadeia'

Ex-procurador da República e coordenador da Lava Jato participou do Oeste Sem Filtro de quarta-feira (13)

Revista Oeste

14 de março de 2024

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Dallagnol: 'Hoje nenhum político corrupto tem medo de ir para a cadeia'

Ex-procurador da República e coordenador da Lava Jato participou do Oeste Sem Filtro de quarta-feira (13)

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14 de março de 2024

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Deltan Dallagnol, ex-procurador da República e coordenador da Lava Jato, afirmou que, depois de uma década de operação nenhum político corrupto tem medo de ir para  a cadeia no Brasil. A declaração foi dada nesta quarta-feira (13), no programa Oeste Sem Filtro.

“Eles sabem que o Supremo Tribunal Federal (STF) vai garantir sua impunidade”, disse Deltan Dallagnol. “Temos visto isso até mesmo no caso de empresas que nos roubaram por décadas”.

O ex-procurador também se refere à mais recente decisão do ministro Dias Toffoli, que suspendeu o pagamento das multas do acordo de leniência fechado pela Odebrecht na Operação Lava Jato. O valor é de aproximadamente R$ 8,5 bilhões.

O ministro do STF também autorizou a construtora, que agora se chama Novonor, a pedir renegociação do acordo de leniência. Trata-se de uma espécie de delação premiada das empresas.

A decisão ocorreu cinco meses depois de o próprio ministro anular todas as provas colhidas do acordo. Na decisão, Toffoli afirma que as informações obtidas até o momento pela Operação Spoofing mostram que haviam um “conluio entre o juízo processante e o órgão de acusação”.

Em setembro de 2023, Toffoli disse ainda que a prisão de Lula foi “erro histórico”. O ministro tem uma ligação histórica com o PT e com o sindicalismo brasileiro. Ele foi consultor jurídico da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em 1993 e atuou como advogado de Lula nas campanhas presidenciais de 1998, 2022 e 2006.

“Decisões do STF desmontaram a Lava Jato”

Para Deltan Dallagnol, a Operação Lava Jato vem sofrendo um ‘desmonte” com decisões judiciais do Supremo Tribunal Federal, como o fim da prisão em segunda instância, decidido em 2019.

“Por causa dessa decisão, agora nenhum político vai para a cadeia”, afirmou o ex-procurador. “Basta ver que os processos de Sergio Cabral e de Eduardo Cunha que foram para a Justiça Eleitoral estão em vias de prescrever. Em seguida, tivemos a decisão que determinou que a Justiça Eleitoral é quem deve julgar a corrupção política. foi a partir daí que tivemos anulações de condenações, como as do Lula.”

Deltan Dallagnol acredita que essas decisões fazem parte de uma suposta reação da classe política à Operação Lava Jato.

“No começo a Lava Jato atingiu três partidos centrais: PT,, PP, e PMDB”, lembrou o ex-procurador. “Porém, as investigações avançaram e chegaram também em nomes, como José Serra e Geraldo Alckmin. Até que chegou a um ponto que ficou insustentável. O sistema político passou a reagir contra as investigações”.

Deltan Dallagnol: “Legado da Lava Jato”

Mesmo com críticas ao que chamou de “desmonte da Lava Jato”, Deltan classificou como positivo o legado da operação. “Pela primeira vez , vimos o monstro dos donos do poder e da corrupção no Brasil sangrar”, disse. Também recuperamos bilhões para os cofres públicos, ainda que algumas multas estejam suspensas”.

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