Economia

Governo responde críticas da The Economist e diz que Lula tem respeito “indiscutível” do mundo

O artigo da revista foi duramente criticado internamente pelo governo, que passou toda a segunda-feira (30) elaborando uma resposta para rebater as afirmações, principalmente de que Lula não teria conseguido se adaptar ao mundo em constante transformação

Gazeta do Povo

1 de julho de 2025

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Governo responde críticas da The Economist e diz que Lula tem respeito “indiscutível” do mundo

O artigo da revista foi duramente criticado internamente pelo governo, que passou toda a segunda-feira (30) elaborando uma resposta para rebater as afirmações, principalmente de que Lula não teria conseguido se adaptar ao mundo em constante transformação

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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) respondeu, nesta terça (1º), as críticas feitas pela prestigiada revista britânica The Economist de que ele estaria isolando o Brasil do restante do mundo, além da perda de popularidade internamente. Sucessivas pesquisas de opinião desde o final do ano passado apontam um aumento da desaprovação a ele acima da aprovação.

O artigo da revista foi duramente criticado internamente pelo governo, que passou toda a segunda-feira (30) elaborando uma resposta para rebater as afirmações, principalmente de que Lula não teria conseguido se adaptar ao mundo em constante transformação.

“Para humanistas de todo o mundo, incluindo políticos, líderes empresariais, acadêmicos e defensores dos direitos humanos, o respeito à autoridade moral do presidente Lula é indiscutível”, disse a nota assinada pelo ministro Mauro Vieira, das Relações Exteriores, a que o G1 teve acesso.

Fontes no Itamaraty confirmaram à Gazeta do Povo o envio da carta à The Economist, mas pontuaram que há uma “ordem superior” para que não seja oficialmente divulgada pela pasta mesmo já tendo sido vazada a outros veículos de imprensa, sem um motivo específico. A Secretaria de Comunicação Social (Secom) da Presidência da República não respondeu aos pedidos da reportagem — o espaço segue aberto para manifestação.

O artigo de opinião da The Economist, publicado no domingo (29), sugere que Lula estaria trabalhando neste terceiro mandato para afastar o Brasil das democracias ocidentais e dos Estados Unidos ao se alinhar a países como a China, o Irã e a Rússia.

Também apontou que ele foi incapaz de unificar a América Latina, como pretendia no início deste terceiro mandato, de mediar o conflito entre a Rússia e a Ucrânia, de se posicionar em relação à crise no Haiti, entre outros temas.

O governo, no entanto, rebateu muitos dos argumentos citados pela revista e afirmou que o Brasil não tem inimigos no mundo e sempre busca a diplomacia para resolver conflitos, como a tentativa de uma mediação entre Ucrânia e Rússia — em parceria com a China.

Também apontou que houve “flagrante transgressão” da Carta das Nações Unidas (ONU) pelos Estados Unidos ao bombardearem instalações nucleares iranianas, que “não é popular entre os negacionistas climáticos” e que “está entre os líderes que denunciam a irracionalidade de investir na destruição, em detrimento da luta contra a fome e do aquecimento global”.

O ministro Mauro Vieira ainda defendeu a atuação do Brics como “ator incontornável na luta por um mundo multipolar, menos assimétrico e mais pacífico”, e que a presidência brasileira do grupo “trabalhará para fortalecer o perfil como espaço de concertação política em favor da reforma da governança global e como esfera de cooperação em prol do desenvolvimento e da sustentabilidade”.

A fala ecoa discursos recentes de Lula de que o Brics tem um papel importante no mundo para defender o multilateralismo das investidas do presidente norte-americano Donald Trump pelas relações unilaterais – como a imposição de taxações para forçar negociações bilaterais.

“Poucos líderes mundiais, como o Presidente Lula, podem dizer que sustentam com a mesma coerência os quatro pilares essenciais à humanidade e ao planeta: democracia, sustentabilidade, paz e multilateralismo”, pontua trecho da carta.

A resposta à The Economist também cita negociações tocadas por Lula durante o G20 para a criação da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza e a proposta de taxação de bilionários “que terá incomodado muitos oligarcas”.

Por outro lado, a carta de Vieira não citou a queda da popularidade do presidente internamente, em que a desaprovação vem superando a aprovação sucessivamente nas pesquisas de opinião publicadas desde o final do ano passado.

Créditos: Gazeta do Povo

Foto: reprodução/Youtube Canal Gov

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