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Lula sai derrotado da COP 30 sem conseguir emplacar fim dos combustíveis fósseis

Além da dificuldade de chegar a um consenso, o último dia da conferência também foi marcado por discussões acaloradas

Gazeta do Povo

24 de novembro de 2025

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Lula sai derrotado da COP 30 sem conseguir emplacar fim dos combustíveis fósseis

Além da dificuldade de chegar a um consenso, o último dia da conferência também foi marcado por discussões acaloradas

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24 de novembro de 2025

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) saiu derrotado da COP 30 de Belém que terminou neste sábado (22) com a divulgação de um documento final quase implodido por duas das principais propostas que o governo queria impor aos países participantes: metas para o fim dos combustíveis fósseis e o roteiro para zerar o desmatamento. Além da dificuldade de chegar a um consenso, o último dia da conferência também foi marcado por discussões acaloradas.

Mesmo articulando pessoalmente a inclusão dos chamados “mapas do caminho”, o presidente não conseguiu vencer a resistência de países árabes, China e Índia, que barraram qualquer avanço sobre o tema. As sugestões do governo brasileiro contavam com o apoio inicial de 20 países, incluindo Colômbia, Reino Unido, França, Suécia e Ilhas Marshall.

No entanto, mesmo com Lula pressionando pessoalmente, o documento final da COP 30 sequer menciona a proposta sobre combustíveis fósseis, apesar de ser considerado por especialistas como responsável por mais de 80% das emissões globais. O presidente minimizou a derrota e se disse “muito satisfeito com o sucesso” do evento.

“Quando nós introduzimos a discussão sobre o Mapa do Caminho [para o fim do uso de combustíveis fósseis], sabíamos que era um tema polêmico. O que conseguimos foi começar um debate sobre uma coisa que todo mundo sabe que vai ter que acontecer”, afirmou o presidente neste domingo (23) a jornalistas em Joanesburgo, na África do Sul, onde participou nos últimos dias da cúpula do G20.

Lula emendou na crítica afirmando que o Brasil já está fazendo a sua parte na redução do uso de combustíveis fósseis com a adição de 15% de biodiesel no óleo diesel e 30% de etanol na gasolina.

“Outros países podem fazer isso. Por exemplo, o continente africano, que precisa se desenvolver e gerar emprego, pode ser grande produtor dessa matéria-prima para exportar aos países que não têm onde plantar, como a União Europeia. Então o que colocamos é o seguinte: é possível”, completou.

Mesmo com o fracasso das negociações formais, o presidente brasileiro da COP 30, André Corrêa do Lago, anunciou que o governo criará paralelamente dois mapas do caminho por conta própria para reverter o desmatamento e para a transição energética.

“Precisamos de mapas para que possamos ultrapassar a dependência dos fósseis de forma ordenada e justa”, afirmou na véspera sem detalhar como as iniciativas serão implementadas.

A derrota política ocorre após a volta emergencial de Lula a Belém, onde tentou “destravar” acordos ao reunir-se com líderes e ministros estrangeiros. A proposta brasileira sobre combustíveis fósseis nem sequer estava prevista originalmente para a COP 30, mas o presidente decidiu insistir no tema, afirmando que “o mundo precisa de um mapa do caminho claro para acabar com essa dependência dos combustíveis fósseis”, segundo afirmou na abertura da conferência.

A expectativa dos aliados era que o chamado “Pacote Político de Belém” incluísse o roteiro proposto por Lula, o que não aconteceu. Com isso, o Brasil deixa a conferência sem o avanço concreto que o governo esperava apresentar ao mundo, enquanto a disputa global sobre combustíveis fósseis continua sendo o ponto mais sensível das negociações climáticas.

Além dos combustíveis fósseis e do desmatamento, o texto final da COP 30 trouxe um avanço tímido no financiamento das medidas de adaptação climática, acordando o encaminhamento de recursos três vezes maior até 2035, mas sem expressar valores e nem exatamente qual será o papel dos países participantes.

Final da COP tem bate-boca entre países e Brasil

A derrota brasileira nas duas propostas também foi acompanhada de um bate-boca entre os países participantes e Corrêa do Lago, acusado de pouca transparência no estabelecimento de metas e diretrizes do documento final. Países latino-americanos, entre eles a Colômbia e o Panamá, contestaram a condução do processo e alegaram ter sido ignorados quando pediram a palavra.

A delegada colombiana Daniela Durán González, por exemplo, disse haver “um sério problema de procedimento” e declarou que sua objeção ao relatório não foi tratada como tal, o que poderia paralisar a aprovação. “A Colômbia está muito preocupada […] o senhor está nos deixando sem opção a não ser rejeitar o item de mitigação”, afirmou.

Nas redes sociais, o presidente da Colômbia, Gustavo Petro, reclamou que o comunicado da COP 30 não menciona com clareza “que a causa da crise climática são os combustíveis fósseis”. Já a Rússia saiu em defesa de Corrêa do Lago e acusou os latino-americanos de agir “como crianças que querem suas mãos em todos os doces”.

O embaixador brasileiro reconheceu falhas técnico-operacionais na sessão afirmando não ter percebido pedidos de fala das delegações, e ainda culpou sua “idade avançada” e a dificuldade para dormir nos últimos dias por causa das negociações.

“Eu profundamente lamento que não tive conhecimento do pedido das partes para falar. Como muitos de vocês aqui, não dormi e provavelmente isso não ajudou. Assim como minha idade avançada”, disse.

Créditos: Gazeta do Povo

Foto: Sebastião Moreira/EFE

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