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Economia
O jogo do governo com o IOF e o risco de ficarmos presos no Brasil
O mercado foi surpreendido com um aumento do IOF. Muita gente foi pega de surpresa com a alta nos financiamentos, no uso do cartão de crédito e nas remessas de dinheiro para o exterior
João Fernando Silva
29 de maio de 2025
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Economia
O jogo do governo com o IOF e o risco de ficarmos presos no Brasil
O mercado foi surpreendido com um aumento do IOF. Muita gente foi pega de surpresa com a alta nos financiamentos, no uso do cartão de crédito e nas remessas de dinheiro para o exterior
João Fernando Silva
29 de maio de 2025
Eu venho alertando há muito tempo que isso poderia acontecer — e aconteceu, na semana passada. O mercado foi surpreendido com um aumento do IOF. Muita gente foi pega de surpresa com a alta nos financiamentos, no uso do cartão de crédito e nas remessas de dinheiro para o exterior. Para você ter uma ideia: até pouco tempo, ao enviar dinheiro para investir fora do país, você pagava 0,38% de IOF. Ou seja, ao mandar R$ 10.000 para sua conta lá fora, o custo era de R$ 38. Agora, esse valor subiu para 3,5%. Isso mesmo. Os mesmos R$ 10.000 agora custam R$ 350 só de IOF, só lembrando que o governo voltou, baixou algumas alíquotas e revogou outras, mas o caso não é esse, é a intenção de arrecadar cada vez mais, e não controlar seus gastos.
E aqui vai um ponto importante: o governo tem o poder de aumentar essa alíquota para até 25%, sem precisar passar pelo Congresso. É isso mesmo — numa canetada. E se isso acontecer? Você manda R$ 10 mil para fora e paga R$ 2.500 de imposto. Isso inviabiliza completamente o envio de recursos para o exterior. O ponto é: isso já aconteceu na Argentina, quando o governo fechou a conta de capitais para tentar segurar o câmbio.
E o resultado? O cidadão comum não conseguiu mais tirar dinheiro do país, com a vitória de Milei isso mudou, mas será que vamos ter a mesma sorte? Esse tipo de movimento mostra o quanto é frágil a nossa liberdade financeira. Quanto mais o governo se mostra desorganizado, mais o dólar sobe. E uma das formas clássicas de tentar conter isso é justamente fechando as saídas. E aí, quando você perceber, não vai mais conseguir tirar seu dinheiro do Brasil.
Por isso, eu insisto: não é uma recomendação, mas uma reflexão. Dá mesmo para investir no Brasil no longo prazo com segurança? Hoje, mais de 70% dos meus investimentos estão fora do país. E depois do que aconteceu, confesso: tive vontade de mandar o restante.
Outro ponto que passou quase despercebido: o governo quis taxar aportes em previdência privada. Se uma pessoa fizesse um aporte acima de R$ 50.000, pagaria 5% de IOF. “Ah, mas isso atinge só uma minoria”, dizem. O problema não é o valor — é o precedente. Hoje é para quem investe acima de R$ 50 mil. E amanhã? Podem aplicar essa alíquota para qualquer valor.
Vi vários especialistas dizendo: quando o governo começa a mexer no IOF, é porque a situação já degringolou. Isso não é teoria — é o que está acontecendo. E, infelizmente, posso dizer que estamos numa situação pior que no segundo mandato da Dilma. As famílias estão mais endividadas. O Estado também. E esse governo vai fazer de tudo para tentar se reeleger, não importa o custo. Exemplo? O novo projeto da conta de luz. Mais de 50 milhões de pessoas vão deixar de pagar. E quem vai cobrir esse rombo? Exatamente: quem trabalha, quem empreende, quem investe.
A reação do mercado foi tão negativa na semana passada que o governo recuou de parte das medidas como já comentei acima. Queriam cobrar IOF sobre aportes em fundos multimercado, mas voltaram atrás. Internamente, até aliados alertaram que o dólar poderia disparar. E o dólar, aliás, já começou a subir. No fim das contas, o que pode parar o governo é somente a alta do dólar. Mas isso vai vir — uma hora vai vir. E, infelizmente, vão continuar tentando inviabilizar a saída de capital do país.
Se informe, estude. O que venho dizendo nos últimos dois anos está se concretizando. E não falo isso com orgulho, falo com tristeza.
Esse último ano e meio foi o mais lucrativo da minha vida no mercado financeiro. E não foi porque o país vai bem — foi justamente porque ele vai mal. Quando o cenário é ruim, quem tem conhecimento consegue aproveitar as oportunidades. Mas isso não favorece os mais pobres. Pelo contrário: aumenta o abismo. Quando a economia está saudável, todo mundo tem chance: quem sabe muito, quem sabe pouco, quem está começando.
Agora, num mercado em crise, só ganha quem já está preparado. O resto fica para trás.
Eu falo isso com pesar. É revoltante. Mas é real
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