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O QUE REALMENTE É INVESTIR
Investir em ações nunca foi e nunca vai ser sobre tentar adivinhar o dia de amanhã
João Fernando Silva
4 de dezembro de 2025
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O QUE REALMENTE É INVESTIR
Investir em ações nunca foi e nunca vai ser sobre tentar adivinhar o dia de amanhã
João Fernando Silva
4 de dezembro de 2025
Investir em ações nunca foi e nunca vai ser sobre tentar adivinhar o dia de amanhã. Esse é o erro clássico de quem entra no mercado achando que existe fórmula mágica, gráfico milagroso ou aquele momento perfeito de “comprar no fundo”. Quem está no mercado de verdade sabe: isso é ilusão. Investir em ações no longo prazo, de fato, é entender que você está comprando uma fração de uma empresa, isso envolve crescimento, risco, suor, decisões certas e decisões erradas.
Eu sempre digo uma coisa que incomoda quem tenta viver de especulação: ação não é bilhete de loteria. Não é algo que você compra hoje para revender amanhã na esperança de ganhar dinheiro sem entender o que está fazendo. Isso não é investimento, isso é aposta, e aposta não faz patrimônio. A minha lógica, construída com décadas dentro de empresas e no mercado, é simples: eu compro empresa com a mentalidade de dono. Eu compro para ficar. Eu compro porque acredito que aquela empresa vai existir daqui a dez ou vinte anos. E, dentro dessa lógica, não faz sentido ficar desesperado atrás de micro variação diária.
Eu já falei inúmeras vezes: em todos esses anos investindo, vendi ação duas vezes na vida, e olhe lá. Não porque não se deve vender, mas porque o foco sempre foi acumular bons ativos e deixar o tempo trabalhar. O investidor que tenta acertar a faca caindo, que tenta descobrir o fundo perfeito, normalmente é o que mais perde dinheiro.
Os números mostram isso, mas a experiência mostra muito mais.
Quando você compra ações, você se torna sócio de uma empresa. Sócio. Parece óbvio, mas muitos esquecem. E ser sócio significa compartilhar lucros, riscos, momentos bons e momentos ruins.
Significa ver seu patrimônio oscilar como oscila uma empresa comum. Tem período de bonança, tem período de aperto, tem período de vacas magras. E você, como sócio, precisa saber conviver com isso. É assim na padaria, no restaurante, na indústria e, obviamente, na bolsa.
Outra polémica grande, que tem se transformado quase em uma guerra, é a briga entre empresas de crescimento e empresas de dividendo. Como se fosse impossível conviver com as duas estratégias. Para mim isso é completamente sem sentido. Eu tenho as duas. Empresas excelentes, por sinal. E, honestamente, essa dicotomia não existe no mundo real. Todo empresário quer que sua empresa cresça e distribua dividendos. Empresas que reinvestem e que distribuem crescem da mesma forma.
E aí entramos na razão de existir do mercado de ações. Uma empresa abre o capital porque precisa financiar crescimento, fortalecer estrutura, reduzir dívida, fazer aquisição, expandir. Quando ela vira uma S.A., passa a ter acesso a mecanismos que uma empresa limitada nunca teria. Debêntures, ofertas, novas emissões, ferramentas de financiamento mais baratas do que crédito bancário. Abre mão de um pouco de controle, mas ganha fôlego para crescer. Como investidor, você tem que entender que está entrando nessa dinâmica, e não apenas apertando botões num home broker.
No Brasil, tudo passa pela B3. É onde a coisa acontece. É onde compradores e vendedores se encontram, onde empresas listam suas ações, onde a CVM regula e onde o mercado ganha vida. O investidor individual, a corretora, os fundos, os estrangeiros, tudo se encontra ali. E é ali também que você acompanha o termômetro do mercado.
Hoje são centenas de ativos na B3, mas com um viés claro: bancos e commodities. A nossa bolsa ainda é pouco diversificada em setores modernos. Mas se você quer se expor a tecnologia, IA, novas tendências globais? O Brasil não entrega isso. É fato.
Agora, sobre risco, não tem como dourar a pílula. Investir em ações é assumir o mesmo risco de quem abre um negócio. Pode dar muito certo, pode demorar, pode render menos do que você gostaria e pode quebrar. Tem empresa que vai te pagar dividendos gordos por anos e tem empresa que vai te frustrar. Tem empresa que vai explodir de valor e tem empresa que você vai vender pela metade. É a realidade. A diferença é que na bolsa você vê o preço mexendo todo santo dia. No mundo real, a oscilação existe, mas ninguém fica te mostrando o valor da sua padaria a cada 15 minutos.
Por isso muitos se assustam com a volatilidade. Mas volatilidade não é risco. Volatilidade é variação. Risco é a empresa quebrar. Quando você investe com visão de longo prazo, o barulho do mercado vira detalhe. No curto prazo, sim, existe o sobe e desce. No longo, o que importa é a capacidade da empresa gerar caixa, crescer, remunerar acionista e continuar existindo.
Investir em ações não é uma aventura, não é um jogo e não é loteria. É ser sócio. É ter visão. É entender que patrimônio se constrói com tempo, disciplina e racionalidade, não com emoção e pressa. E, acima de tudo, é saber que quem colhe lá na frente é quem planta hoje, sem desespero, sem deslumbramento e sem tentar adivinhar o futuro.
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