- Inicio
- Notícias Brasil - Últimas Notícias
- STF forma maioria para exigir plano nacional contra racismo
Notícias Brasil
STF forma maioria para exigir plano nacional contra racismo
Os ministros Luiz Fux, relator do caso, Flávio Dino e Cármen Lúcia votaram pela adoção de medidas contra o racismo e para reconhecer o dispositivo
Gazeta do Povo
28 de novembro de 2025
- Inicio
- Notícias Brasil - Últimas Notícias
- STF forma maioria para exigir plano nacional contra racismo
Notícias Brasil
STF forma maioria para exigir plano nacional contra racismo
Os ministros Luiz Fux, relator do caso, Flávio Dino e Cármen Lúcia votaram pela adoção de medidas contra o racismo e para reconhecer o dispositivo
Gazeta do Povo
28 de novembro de 2025
O Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria nesta quinta-feira (27) para obrigar o governo a criar um plano nacional contra o “racismo estrutural”. Os ministros, no entanto, não chegaram a um acordo sobre a declaração de um “estado de coisas inconstitucional”.
Esse dispositivo é utilizado para reconhecer a existência de uma violação massiva e generalizada de direitos fundamentais que afeta grande parcela da população. Os ministros Luiz Fux, relator do caso, Flávio Dino e Cármen Lúcia votaram pela adoção de medidas contra o racismo e para reconhecer o dispositivo.
Os ministros Cristiano Zanin, André Mendonça, Nunes Marques, Alexandre de Moraes e Dias Toffoli também defenderam que sejam tomadas providências, mas rejeitaram o “estado de coisas inconstitucional”.
O julgamento foi interrompido e será retomado em data ainda não divulgada. Faltama os votos do presidente do STF, Edson Fachin, e do ministro Gilmar Mendes. A Corte analisa a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) 973 protocolada pelo PT, PSOL, PSB, PCdoB, Rede, PDT e PV.
Nesta tarde, Zanin foi o primeiro a votar. Ele aderiu às proposições e providências constantes no voto do relator, reconhecendo “graves violações de preceitos fundamentais”, mas sem declarar o “estado de coisas inconstitucional”, divergindo neste ponto.
Zanin considerou que existem “graves violações de preceitos fundamentais” da população negra e defendeu que sejam determinadas providências para mitigá-las, considerando as iniciativas vigentes.
“Na minha compreensão, o fato de existirem políticas públicas a partir da década de 1990, de 2003 e mais recentemente outras leis não indicam uma inércia do poder público. Esse é o critério que estou utilizando”, disse.
Mendonça e Moraes se manifestam contra a adoção do conceito de “racismo institucional”
O ministro André Mendonça acompanhou o voto de Zanin. Ele concordou com a existência de “racismo estrutural” na sociedade. No entanto, o ministro disse ter “dificuldade” com o conceito de racismo institucional.
“Não posso partir do pressuposto que instituições públicas são racistas, acho que pessoas dentro das instituições são racistas”, afirmou Mendonça.
Na mesma linha, o ministro Nunes Marques apontou que, quando se fala em racismo institucional, “pode se confundir que o governo brasileiro está aparelhado para ser catalisador desse processo”.
Para ele, é “inegável que essa violação de direito fundamental é antiga e sistêmica”. Nunes Marques acompanhou o entendimento de Zanin e Mendonça.
O ministro Alexandre de Moraes concordou com Mendonça quanto ao racismo institucional. Ele considerou que a declaração de estado de coisas inconstitucional não muda, na prática, as medidas que devem ser implementadas contra o racismo.
“Racismo estrutural existe, é uma chaga e permanece econômica, social e culturalmente. Não é jurídico, isso é muito importante. Quando se pede a declaração do estado de coisas inconstitucional é porque haveria um racismo estrutural do estado voltado a exterminar a população negra. Não há isso”, enfatizou.
Fux rebateu e destacou que a “pecha” sobre a discussão tratar apenas de “divagações acadêmicas” e “proclamações” não procede. “Todo mundo reconheceu violações e omissões… Meu voto não é contemplativo, é efetivo”, apontou o relator.
O ministro Dias Toffoli ressaltou avanços em políticas públicas atuais para o enfrentamento ao racismo. Ele concordou com o voto do relator, mas sem reconhecer a existência de um “estado de coisas inconstitucional”.
Cármen Lúcia acompanha voto de Fux
Última a votar, a ministra Cármen Lúcia acompanhou o voto de Fux, inclusive para reconhecer o “estado de coisas inconstitucional” em razão da “insuficiência de todas as medidas e providências tomadas até aqui”.
“Eu não espero viver em um país em que a Constituição para o branco seja plena e para o negro seja quase. Quero uma Constituição que seja plena, igualmente para todas as pessoas”, disse a ministra.
AGU se compromete a implementar plano nacional contra o racismo
Em nota, a Advocacia-Geral da União (AGU) reafirmou nesta quarta (26) o compromisso de elaborar, “em prazo razoável”, um Plano Nacional de Enfrentamento ao Racismo Institucional. O órgão defendeu a necessidade de atuação conjunta de todos os Poderes.
“Somente com essa ação conjunta é possível consolidar políticas duradouras, capazes de transformar realidades e garantir que os avanços até aqui conquistados se mantenham e se ampliem para o futuro”, disse a AGU.
Créditos: Gazeta do Povo
Foto: Rosinei Coutinho/STF
Últimas Notícias
Associações de magistrados rebatem declaração de Dino sobre o Judiciário
O ministro afirmou que o Judiciário vive seu momento mais corrupto, gerando reações das entidades que defendem a integridade da categoria e criticam a generalização de casos que deveriam ser tratados de forma individual
Cármen Lúcia lamenta descrença nas instituições em meio à crise no STF
A fala ocorre um dia depois de Cármen Lúcia pedir desculpas ao povo brasileiro durante o julgamento realizado pelo STF na terça-feira (15). A sessão terminou sem uma conclusão sobre o relatório que aponta uma relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes
Lula tenta se distanciar de crise com Moraes e diz que não o indicou à Corte
O petista disse que Flávio tenta relacioná-lo ao ministro e afirmou que a reação contra Moraes estaria ligada à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e às decisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023
Siga nos
Leia também
O ministro afirmou que o Judiciário vive seu momento mais corrupto, gerando reações das entidades que defendem a integridade da categoria e criticam a generalização de casos que deveriam ser tratados de forma individual
A fala ocorre um dia depois de Cármen Lúcia pedir desculpas ao povo brasileiro durante o julgamento realizado pelo STF na terça-feira (15). A sessão terminou sem uma conclusão sobre o relatório que aponta uma relação entre Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes
O petista disse que Flávio tenta relacioná-lo ao ministro e afirmou que a reação contra Moraes estaria ligada à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e às decisões relacionadas aos atos de 8 de janeiro de 2023
A manifestação foi uma reação à sessão extraordinária que terminou sem uma definição sobre investigar ou não o ministro Alexandre de Moraes
Em outra postagem Lula escolheu a imagem de um cemitério durante a pandemia e em outra, uma fila de pessoas em uma agência de emprego, com duas fotografias de Bolsonaro para vincular os assuntos
Segundo informações da agência EFE, a missão avaliou a situação dos direitos humanos no país desde a captura do ditador Nicolás Maduro em uma operação militar dos Estados Unidos em 3 de janeiro. Ele foi substituído pela ditadora interina Delcy Rodríguez, aliada do governo Donald Trump
No início do mês, Milei anunciou sanções a empresas que explorarem recursos naturais nas Ilhas Malvinas, além da construção de uma base naval integrada na província da Terra do Fogo para aumentar a pressão militar de Buenos Aires nessa disputa