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Gabinete de Mendonça explica resistência a liberar dados do celular de Vorcaro
De acordo com o gabinete, a obtenção em julho dizia respeito a um procedimento já avançado do caso Master, com pessoas formalmente investigadas
Gazeta do Povo
29 de setembro de 2026
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Gabinete de Mendonça explica resistência a liberar dados do celular de Vorcaro
De acordo com o gabinete, a obtenção em julho dizia respeito a um procedimento já avançado do caso Master, com pessoas formalmente investigadas
Gazeta do Povo
29 de setembro de 2026
O gabinete do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça explicou o motivo pelo qual o magistrado se opôs à disponibilização dos dados brutos do celular de Daniel Vorcaro aos colegas de Corte, mesmo recebendo o material em março e solicitando uma cópia em julho. As explicações foram divulgadas nesta terça-feira pela Folha de São Paulo e fazem parte de respostas prestadas pelo gabinete a questionamentos da imprensa durante a crise no Supremo.
De acordo com o gabinete, a obtenção em julho dizia respeito a um procedimento já avançado do caso Master, com pessoas formalmente investigadas. Já no caso do relatório sobre as relações entre o ex-dono do Banco Master e o ministro Alexandre de Moraes, não há, até o momento, nenhuma investigação instaurada.
O texto alega que os dados do celular de Vorcaro foram entregues voluntariamente pela Polícia Federal (PF), e que Mendonça não acessou o material, que permaneceu lacrado. É detalhado ainda o procedimento pelo qual é possível verificar o número dos lacres e compará-los com o número nos ofícios de entrega.
O ministro Cristiano Zanin iniciou a ofensiva pelos dados brutos após o levantamento dos sigilos do caso Master. Ele afirmava que ele e os colegas estavam em desigualdade de condições em relação a Mendonça, uma vez que o relator teria o acesso ao material na íntegra. Depois disso, Gilmar Mendes e Moraes também fizeram o mesmo pedido.
Mendonça resistiu, alegando que o compartilhamento prejudicaria as investigações e desviaria o foco da sessão de 15 de setembro. Mesmo assim, o presidente da Corte, Edson Fachin, deu 24 horas para que a Polícia Federal esclarecesse a custódia e a situação do material. A corporação respondeu que mantinha os dados originais preservados e tinha “plenas condições técnicas” de fornecer cópias idênticas aos ministros. Os pedidos passaram então a ser feitos diretamente à PF, que entregou a íntegra do material aos gabinetes.
Desde então, passaram a ser publicados na imprensa novos trechos do celular de Vorcaro que não constavam do material cujo sigilo havia sido levantado.
Relembre as revelações sobre Moraes e Vorcaro
A crise no Supremo começou justamente com um relatório da PF com extrações do Iphone 17 apreendido em 18 de novembro de 2025. Na ocasião, o caso ainda era conduzido pela Justiça Federal do Distrito Federal.
A apreensão revelou que, dias antes, o ex-banqueiro enviou uma mensagem ao contato “Alexandre de Moraes Brasília” expressando surpresa e detalhando o nome do juiz que assinou seu primeiro mandado de prisão:
“Que loucura, bem na semana que estou resolvendo tudo. Aquele mesmo juiz Ricardo? E o Galipolo tá sabendo? Conseguimos fazer algo? Acha que segunda já tenho que estar fora?”. Vorcaro foi preso no Aeroporto Internacional de Guarulhos, quando tentava embarcar para Dubai.
O foco em Moraes veio de uma determinação do próprio Mendonça. Ele mandava a corporação identificar pessoas com foro privilegiado e fornecer a íntegra das menções.
A PF produziu o relatório, mas esclareceu que não aprofundou as investigações, uma vez que a magistratura teria mecanismos próprios para avaliar a conduta de seus membros. No caso do Supremo, o Regimento Interno fixa essa competência no plenário.
Vorcaro tinha um método diferente para enviar mensagens a alguns contatos, incluindo “Alexandre de Moraes”: em vez de simplesmente digitar a mensagem, escrevia em seu bloco de notas e tirava um print, enviando a imagem em seguida. Mesmo assim, o conteúdo foi recuperado.
De acordo com as apurações, os contatos de Moraes foram enviados ao ainda dono do Banco Master em dezembro de 2023 pelo ex-ministro das Comunicações durante o governo de Jair Bolsonaro (PL), Fábio Faria.
Ainda em dezembro de 2023, Faria encaminha a Vorcaro uma mensagem com “pode ser dia 30 o almoço?” e diz que o interlocutor é “Alex”. O almoço teria ocorrido em Campos do Jordão (SP). O envio dos contatos do ministro ocorreu no dia anterior.
O ex-banqueiro ainda conversa com outro contato para organizar o almoço. De acordo com ele, o encontro contaria com “convidados ultra vips”. O mesmo evento teria contato com a presença de alguém identificado como “Airton desembargador”. Alexandre de Moraes tem como um de seus juízes auxiliares Airton Vieira, desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJSP).
Ao longo do evento, um dos funcionários afirma que “Zé Maria tirou foto com o ministro”. Vorcaro expressa contrariedade, mas admite quando é informado de que o próprio ministro “pediu para tirar fotos com todos”.
No mês seguinte, já em 2024, a advogada Viviane Barci envia a minuta de um contrato de R$ 131,2 milhões, divididos em 36 parcelas de R$ 3,6 milhões. A versão final da minuta teria sido editada pelo próprio Alexandre de Moraes, de acordo com o registro de modificações disponível no relatório.
Créditos: Gazeta do Povo
Foto: Luiz Silveira/STF
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