Economia

China desacelerando, e agora para quem vender? De quem comprar?

A China vem sofrendo algo que parece ser o mal de todas as nações asiáticas, a desaceleração após um crescimento muito grande

Foto de João Fernando Silva

João Fernando Silva

14 de março de 2024

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China desacelerando, e agora para quem vender? De quem comprar?

A China vem sofrendo algo que parece ser o mal de todas as nações asiáticas, a desaceleração após um crescimento muito grande

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Temos vários indícios para acreditar que a China não terá mais aquele crescimento exponencial de anos atrás, e com isso também não deve ter o mesmo poder de compras desses mesmos anos. A China vem sofrendo  algo que parece ser o mal de todas as nações asiáticas que se desenvolveram muito nas últimas décadas sofreram, uma desaceleração após um crescimento muito grande, com um envelhecimento e decréscimo da população, fenômenos que vimos em vários países asiáticos.

Países como Coreia do Sul, Taiwan, Cingapura e Hong Kong tiveram uma trajetória parecida, começaram criando uma excedente agrícola, que proporcionou algum investimento em infraestrutura, após isso investimento em industrialização que passou de baixa complexidade para média e depois para alta, tudo isso com um foco muito forte em exportações, os governos desses países investiram muito em campeões nacionais, mas com a condição de cumprirem metas de crescimento e exportação, o que fez essas nações crescerem muito, e muito rápido, em tecnologia e riqueza. Outro fato importante, foi a abertura controlada da economia, trazendo grandes empresas multinacionais com a condição de repassar suas tecnologias.

Após muitos anos de crescimento, vieram com a e elevação nos níveis de riqueza e desenvolvimento a estagnação e a deflação, muitos desses países passaram por bolhas imobiliárias, algo que até hoje alguns não se recuperaram, daí vem a expressão “japonização”, por assim dizer.

Para entendermos bem, o Japão passou de um país agrário, sua base era a produção de arroz, trigo e cevada, com uma indústria com produção de têxteis e cerâmica, essa produção era limitada ao consumo interno. Após a segunda guerra, mesmo que tenham saído derrotados, tiveram um forte crescimento pós-anos 50, baseado em forte educação, nutrição, desenvolvimento e produção tecnológica, incentivadas e fomentadas pelo estado. Com à abertura do Japão, países migram sua mão de obra para lá, por ser mais barata. Os Japoneses aproveitaram as tecnologias e aportes financeiros que inundaram o país e investiram na industrialização própria, pois não tinham intenção de serem apenas uma maquila de outras nações.

A industrialização trouxe desenvolvimento, melhora de vida e aumento de renda das famílias, com esse aumento, a mão de obra outrora barata começou a encarecer, os ativos começaram a valorizar, enfim, o país ficou rico, chegando a ser a segunda maior potência do planeta, atrás somente dos Estados Unidos.

Voltando à China, vemos este mesmo fenômeno acontecendo por lá, o país passou pelo mesmo processo dos outros asiáticos, porém com uma característica peculiar, tinha até abril de 2023 a maior população do planeta, sendo passada pela Índia. A China tem um governo centralizado, algo que gera muitas desconfianças no campo econômico e geopolítico, esses fatores juntos com a desaceleração econômica fez os investidores saírem do país em massa no ano de 2023, foi uma das maiores fugas de capitais desde que a China mudou seu modelo econômico, as coisas não estão bem por lá, o desemprego entre os jovens passa de 25% e mais 20% do seu PIB vem do setor imobiliário, setor esse que está passando por uma forte crise também, com a quebra de grandes empresas e uma oferta gigantesca de imóveis no mercado, o governo tem tentado segurar os preços dos imóveis de maneira artificial, mantendo a taxa de juros baixa para fomentar esse mercado primordial para eles, mas não tem surtido efeito algum, pois 70% da poupança dos chineses está em imóveis.

Bom com tudo isso o que pode refletir no Brasil essa crise? A China é nosso maior parceiro comercial, trocando em miúdos, nosso maior cliente, que eles vão desacelerar nos próximos anos, já é certo. Com isso nossa política econômica deveria ser outra, mais conservadora, se você tem uma empresa e seu maior cliente começa a mostra enfraquecimento nas compras? Ou você busca outros parceiros, diminui seus gastos, ou os dois, pois bem, não vemos isso no Brasil, lembrando que, o que vem segurando o dólar no patamar que está, são essas exportações.

Olhando para o lado dos investimentos, o que devemos fazer? Bem, a China vai quebrar? Acho improvável, mas que vai desacelerar é quase uma certeza, pensando neste cenário temos que proteger nossos investimentos, com as exportações brasileiras caindo e o dólar subindo, devemos ter um aumento inflacionário no nosso país, com isso, tudo que for dolarizado torna-se atraente.

 

Este artigo não é recomendação de compra, venda ou manutenção de ativo, é apenas informativo.

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