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Democratas cobram explicações de Trump sobre vistos a Flávio Bolsonaro e criticam Rubio
Deputados e um senador americano criticaram a decisão da Casa Branca de receber o ex-candidato à Presidência do Brasil e acusaram o secretário de Estado, Marco Rubio, de ajudá-lo a deixar o país para, segundo eles, "evitar investigações judiciais"
Gazeta do Povo
29 de outubro de 2026
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Democratas cobram explicações de Trump sobre vistos a Flávio Bolsonaro e criticam Rubio
Deputados e um senador americano criticaram a decisão da Casa Branca de receber o ex-candidato à Presidência do Brasil e acusaram o secretário de Estado, Marco Rubio, de ajudá-lo a deixar o país para, segundo eles, "evitar investigações judiciais"
Gazeta do Povo
29 de outubro de 2026
Parlamentares do Partido Democrata dos Estados Unidos passaram a cobrar explicações do governo do presidente Donald Trump sobre a concessão de vistos ao senador Flávio Bolsonaro (PL) e seus familiares, que chegaram a Miami nesta quarta-feira (28).
Deputados e um senador americano criticaram a decisão da Casa Branca de receber o ex-candidato à Presidência do Brasil e acusaram o secretário de Estado, Marco Rubio, de ajudá-lo a deixar o país para, segundo eles, “evitar investigações judiciais”. As manifestações ocorrem a menos de uma semana das eleições legislativas americanas, marcadas para a próxima terça-feira (3), quando os americanos definiram o controle do Senado e da Câmara dos EUA.
Um dos primeiros a se manifestar sobre o assunto foi o deputado democrata Joaquin Castro, do Texas. Castro é o principal nome da oposição na Subcomissão do Hemisfério Ocidental da Câmara dos Deputados. Em uma publicação no X, ele questionou a concessão dos vistos e exigiu esclarecimentos sobre o envolvimento das autoridades americanas na viagem.
“Perder uma eleição não é motivo para asilo”, escreveu Castro sobre a viagem de Flávio aos EUA. O congressista citou as investigações contra Flávio no Brasil, incluindo suspeitas de lavagem de dinheiro e evasão de divisas, e lembrou que o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), havia determinado que o senador entregasse seus passaportes. Flávio nega as acusações.
“O governo Trump deve explicações ao Congresso sobre seu papel em ajudar Bolsonaro a fugir do Brasil em violação à legislação brasileira”, afirmou o deputado.
A bancada democrata da Comissão de Relações Exteriores da Câmara também criticou o governo Trump. Em publicação nas redes sociais, o grupo comparou o tratamento dado a Flávio com as restrições impostas pelo governo americano a refugiados de países que enfrentam guerras e crises humanitárias. “Não há asilo para pessoas que fogem da guerra no Sudão ou do conflito no Haiti, mas Rubio estende o tapete vermelho para Bolsonaro”, afirmou a bancada democrata.
“Aparentemente, fugir da violência não é suficiente para se qualificar [a um pedido de asilo]. Negar resultados eleitorais, sim”, acrescentou.
Democratas acusam Rubio de ajudar Flávio a “escapar da Justiça”
O deputado democrata Jim McGovern, de Massachusetts, acusou diretamente o secretário de Estado americano de colaborar com Flávio para, segundo ele, “evitar que ele responda às investigações brasileiras”.
“Flávio Bolsonaro é um cidadão estrangeiro sob investigação criminal. Rubio está agindo em conluio com ele para escapar da Justiça”, escreveu McGovern no X.
O parlamentar ampliou as críticas ao governo Trump, afirmando que pessoas acusadas de tentar escapar da responsabilização judicial encontraram acolhimento no atual governo americana.
“Fascistas covardes e bandidos autoritários costumavam fugir para a Rússia ou Arábia Saudita para evitar a responsabilização. Esta administração os acolhe nos Estados Unidos. Repugnante”, declarou.
Outro deputado democrata, Shri Thanedar, de Michigan, afirmou que Flávio deveria enfrentar as acusações feitas contra ele no Brasil. Segundo o congressista, Rubio poderia impedir sua entrada nos Estados Unidos, mas não teria disposição para isso. O senador democrata Andy Kim, de Nova Jersey, comparou a chegada do senador brasileiro nos EUA com as decisões do governo Trump de restringir mecanismos de proteção migratória para estrangeiros que já vivem nos Estados Unidos.
“Trump está basicamente concedendo a Bolsonaro o Status de Proteção Temporária, enquanto o retira de inúmeros haitianos, afegãos e outros que construíram suas vidas nos Estados Unidos”, afirmou Kim. O senador classificou o episódio como mais um exemplo do que considera favorecimento de aliados políticos por parte de Trump.
Já o deputado Morgan McGarvey, do Kentucky, questionou a política migratória americana diante da entrada do brasileiro. “O governo Trump diz que não quer criminosos entrando em nosso país. A menos que sejam tão corruptos quanto ele”, escreveu.
Críticas ocorrem às vésperas das eleições nos EUA
A reação dos democratas acontece poucos dias antes das eleições de meio de mandato, nas quais os americanos escolherão todos os 435 integrantes da Câmara dos Deputados e renovarão parte do Senado.
A política de imigração de Trump é um dos temas do debate político americano. Os democratas estão tentando usar a entrada de Flávio nos EUA para questionar a diferença entre o tratamento concedido a um aliado de Trump e as restrições adotadas pelo governo para outros estrangeiros no país.
Em setembro, parlamentares democratas enviaram uma carta a Marco Rubio para questionar o que consideravam uma tentativa de interferência do governo americano na eleição brasileira. O documento foi assinado por 30 deputados e pelo senador progressista Bernie Sanders, que atua ao lado dos democratas no Congresso.
Flávio chegou a Miami nesta quarta-feira com a esposa e as duas filhas, depois de passar pela Argentina e pelo Equador. O senador deixou o Brasil após uma determinação de Moraes para entregar seus passaportes no âmbito de investigações sobre suspeitas de crimes financeiros, que ele nega.
A Polícia Federal brasileira esclareceu que a viagem de Flávio aos EUA, por si só, não caracteriza a condição de foragido nem autoriza uma prisão automática.
Trump afirmou mais cedo que aprovou a entrada do senador nos Estados Unidos e voltou a questionar o resultado da eleição brasileira. Contudo, o republicano disse que não pretende se envolver diretamente na disputa política entre Flávio e o presidente reeleito Lula (PT).
Família Bolsonaro é alvo frequente de Moraes
Flávio Bolsonaro deixou o Brasil após uma ordem do ministro Alexandre de Moraes para a apreensão dos seus passaportes e proibição de deixar o país, poucas horas depois do resultado da eleição presidencial. Esta medida vem após uma sequência de decisões judiciais impostas por Moraes a integrantes da família Bolsonaro.
Em julho de 2025, antes da condenação de Jair Bolsonaro por suposta tentativa de golpe, Moraes determinou buscas na residência do ex-presidente, impôs o uso de tornozeleira eletrônica e estabeleceu restrições à comunicação e ao uso de redes sociais. No mês seguinte, converteu as cautelares em prisão domiciliar, sob a alegação de descumprimento das ordens judiciais. Em novembro, decretou a prisão preventiva do ex-presidente.
Em julho de 2026, publicações de Flávio nas redes sociais foram usadas para impor restrições às visitas a Jair Bolsonaro. O senador, então pré-candidato, divulgou uma carta do ex-presidente que o apresentava como porta-voz do pai e pedia apoio à sua pré-candidatura à Presidência. O ministro entendeu que a divulgação contornava a proibição de manifestações políticas por terceiros imposta a Jair e suspendeu as visitas de Flávio ao ex-presidente por 90 dias, período que ultrapassava o primeiro turno das eleições. As visitas foram retomadas em meados de outubro.
Moraes também iniciou uma investigação contra Eduardo Bolsonaro por sua atuação nos Estados Unidos em favor do pai. O ex-deputado foi condenado pelo STF por coação no curso do processo e, após o trânsito em julgado, o ministro determinou a expedição de mandado de prisão (de quatro anos e dois meses), a suspensão dos direitos políticos e o cancelamento dos passaportes de Eduardo, que está nos EUA. Em outro processo, também relatado por Moraes, Eduardo foi condenado, em setembro deste ano, por declarações contra a deputada Tabata Amaral (PSB-SP), feitas quando ele ainda era deputado, em 2021.
Créditos: Gazeta do Povo
Foto: Lenin Nolly/EFE
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