Notícias Brasil

Lula sai atrás de Flávio e chega ao segundo turno sem apoios expressivos

O cenário é desafiador para a reeleição do presidente, que disputou sozinho pelo espectro da esquerda, considerando o "arsenal" de ferramentas de apelo popular utilizado na reta final da campanha

Gazeta do Povo

5 de outubro de 2026

Facebook
WhatsApp
Telegram

Notícias Brasil

Lula sai atrás de Flávio e chega ao segundo turno sem apoios expressivos

O cenário é desafiador para a reeleição do presidente, que disputou sozinho pelo espectro da esquerda, considerando o "arsenal" de ferramentas de apelo popular utilizado na reta final da campanha

Gazeta do Povo

5 de outubro de 2026

WhatsApp
Facebook

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disputará o segundo turno das eleições, em 25 de outubro, em desvantagem de mais de 2,4 milhões de votos. Com 99,6% das urnas apuradas, Lula estava 2,11 pontos percentuais atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL) na votação deste domingo (4). Faltando apenas 0,5% das urnas para apurar, Lula tinha 45,06% dos votos válidos, contra 47,12% de Flávio.

O cenário é desafiador para a reeleição do presidente, que disputou sozinho pelo espectro da esquerda, considerando o “arsenal” de ferramentas de apelo popular utilizado na reta final da campanha.

Enquanto isso, o candidato do PL tem a possibilidade de absorver a maior parte dos votos que ficaram com as candidaturas que não avançaram ao segundo turno. Ele terá de lutar por votos votos que, no primeiro turno, foram conferidos a candidatos da direita.

Na votação deste primeiro turno, Augusto Cury (Avante) tinha – com 99,6% das urnas apuradas – 2,89% dos votos válidos (3.439.445 votos), Renan Santos (Missão), 2,25% (2.671.162); Ronaldo Caiado (PSD), 2,19% (2.600.226 votos) e Romeu Zema (Novo), 0,27% (325.868 votos). Os demais candidatos tinham 0,1% ou menos.

A diferença no primeiro turno é um dos principais indicadores da disputa do segundo turno. Segundo analistas, Lula precisaria ter pelo menos 5 pontos de vantagem sobre Flávio no primeiro turno para se manter competitivo. Bruno Soller, da Real Time Big Data, avaliou que, abaixo disso, o favoritismo seria de Flávio. Outros analistas avaliam que a vantagem mínima deveria ser de 3 pontos.

Segundo turno exigirá alianças

Para o segundo turno, a campanha de Lula terá de lidar ainda com o desgaste provocado pela associação entre Lula e o STF, mobilizar sua base para reduzir os efeitos da abstenção e disputar o apoio de partidos.

Sem garantia de vitória, o apoio no Congresso, especialmente do Centrão, será um desafio. Outro problema para a campanha é a redução dos palanques estaduais disponíveis, como é o caso de São Paulo, com a reeleição do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Na avaliação de analistas, a maior dificuldade do presidente será transformar indicadores econômicos favoráveis em uma percepção mais concreta de melhora na vida cotidiana.

Uma das apostas da campanha será o reajuste do Bolsa Família, de cerca de R$ 90 no valor médio do benefício, viabilizado na reta final do primeiro turno após uma liminar do ministro Gilmar Mendes, do STF. O novo valor começará a ser pago duas semanas antes do segundo turno.

Campanha recorreu à máquina de bondades

A campanha de Lula chegou ao dia da eleição depois de duas semanas de forte movimentação, marcadas por mudanças de estratégia, novas medidas do governo e uma sequência de polêmicas.

Na véspera da eleição, os principais levantamentos estavam dentro de uma faixa relativamente estreita. O Datafolha registrou 45% a 42% dos votos válidos para Lula e Flávio, enquanto a Quaest, usando o modelo de eleitor provável, apontou 46% a 45%.

O empate técnico nas pesquisas aconteceu mesmo após a enxurrada de medidas do governo na reta final. Lula reajustou o Bolsa Família, lançou uma nova versão do Desenrola e editou medidas contra as apostas esportivas (bets), enquanto a campanha ampliou os ataques a Flávio Bolsonaro e passou a explorar temas como o combate às apostas, a defesa da democracia e a atuação do STF.

A disputa também ganhou forte componente religioso após a circulação de conteúdos falsos associando Flávio à retirada do título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida. O episódio levou a decisões conflitantes dos ministros André Mendonça e Flávio Dino e colocou o TSE e o STF no centro da guerra de narrativas da campanha.

A dez dias da eleição, Lula enfrentou repercussão negativa após uma fala sobre o exame de próstata e o “toque” em mulheres, que foi explorada pela campanha adversária e depois explicada pelo presidente. Janja também ampliou sua participação nos atos e nas redes sociais, com ataques a adversários e atuação em temas como mulheres e apostas.

A última semana ainda foi marcada pela ausência de Lula no debate da Globo, pelo cancelamento do encontro após decisões judiciais que alteraram suas regras e pela intensificação da agenda presencial nos maiores colégios eleitorais.

Nos últimos dias, Lula passou a pedir explicitamente a mobilização de eleitores para reduzir a abstenção e encerrou a campanha na Avenida Paulista, em São Paulo, defendendo uma vitória ainda no primeiro turno.

Rejeição e avaliação do governo foram determinantes

A alta rejeição e a baixa aprovação do governo foram determinantes para o resultado. Em setembro, a avaliação do governo chegou a um dos piores patamares de toda a gestão.

Na pesquisa Quaest divulgada em 14 de setembro, 50% desaprovavam o governo e 43% aprovavam, diferença de sete pontos percentuais. Segundo a Quaest, era um patamar inédito para um presidente que disputa a reeleição.

Pesquisa Datafolha realizada entre 8 e 10 de setembro, cerca de três semanas antes da votação, mostrou que 46% dos eleitores diziam não votar de jeito nenhum em Lula. O mesmo percentual rejeitava Flávio Bolsonaro.

Na reta final da campanha, a avaliação do governo chegou a apresentar melhora. Pesquisa Quaest divulgada em 28 de setembro mostrou a aprovação de Lula subindo de 44% para 46%, enquanto a desaprovação recuou de 50% para 49%. Ainda assim, a percepção negativa permanecia numericamente superior à positiva.

Governo apostou em expansão de gastos na economia

Ao longo do governo, Lula investiu na estratégia de expansão dos gastos públicos, com medidas de impacto direto sobre renda e consumo para estimular a atividade econômica. Isso incluiu, além da incorporação do aumento real do salário mínimo acima da inflação no início do governo, benefícios, crédito subsidiado e desonerações.

Em junho, a Gazeta do Povo estimou em R$ 187,2 bilhões o conjunto dessas medidas, em um pacote de bondades direcionado a diversos segmentos.

Não conseguiu, no entanto, transformar os indicadores econômicos do governo em percepção positiva entre os eleitores. A avaliação sobre o custo de vida, a inflação dos alimentos e a inadimplência das famílias esgarçou a popularidade do presidente ao longo de 2026.

Ao mesmo tempo, a deterioração fiscal e os juros elevados ampliaram as críticas ao uso eleitoral da máquina pública, enquanto a preocupação com a trajetória das contas públicas se intensificava.

O desgaste da política já aparecia antes mesmo do início oficial da campanha. Em abril, a Quaest registrava 52% de desaprovação e 43% de aprovação do governo.

Liderança ficou ameaçada com crise do STF

A liderança de Lula já vinha sendo ameaçada ao longo da campanha. Flávio Bolsonaro havia aparecido numericamente à frente de Lula em abril, quando a Futura/Apex apontou 48% para o senador contra 42,6% para o presidente em um eventual segundo turno.

A vantagem, porém, não se sustentou. Em meio às revelações do caso Banco Master e às informações sobre as relações entre Flávio e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, o senador perdeu terreno e, no fim de julho, aparecia com 41,1%, contra 47,5% de Lula, segundo a Vox Brasil.

A recuperação ocorreu em agosto, paralelamente ao agravamento da crise envolvendo o STF e às revelações sobre as relações de Vorcaro com o ministro Alexandre de Moraes. O embate ganhou projeção a partir da divulgação de mensagens trocadas entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

O episódio foi incorporado à campanha de Flávio Bolsonaro. No ato de 7 de setembro na Avenida Paulista, o candidato do PL transformou as críticas a Moraes em um dos principais temas de seu discurso, pediu a saída do ministro do Supremo e tentou associá-lo diretamente a Lula. “Quem vota em Lula está votando em Alexandre de Moraes”, afirmou Flávio.

Eleitor vincula Lula a Moraes

A disputa em torno do caso colocou Moraes e o ministro André Mendonça, até então relator das investigações sobre o Banco Master, em lados opostos de uma crise interna no STF.

Mendonça tornou público um relatório da Polícia Federal que continha mensagens atribuídas a Moraes e Vorcaro, enquanto Moraes pediu a abertura de investigação contra Mendonça por suspeitas de abuso de autoridade e outras possíveis irregularidades. O presidente do Supremo, Edson Fachin, posteriormente determinou o fim do sigilo de parte dos autos.

A percepção negativa sobre a atuação de Moraes, no entanto, acabou recaindo diretamente sobre Lula. Em 29 de agosto, a Vox Brasil voltou a registrar Flávio numericamente à frente, com 45,1% contra 44,5% de Lula, em empate técnico. O levantamento ouviu 2.100 eleitores entre 25 e 27 de agosto.

Além da avaliação entre os eleitores de que o Judiciário sempre esteve ao lado do governo nos embates com o Legislativo, o vínculo entre Lula e Moraes ficou flagrante após o magistrado intermediar o encontro do petista com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP). Lula e Alcolumbre estavam estremecidos desde que o Senado rejeitou o nome indicado pelo governo, Jorge Messias, para o STF.

O restabelecimento da relação permitiu ao governo aprovar no Congresso medidas de interesse eleitoral, como a extinção do imposto sobre as compras internacionais, a chamada “taxa das blusinhas”, em setembro, que Alcolumbre resistia em pautar.

Mesmo assim, Flávio prosseguiu avançando nas pesquisas seguintes. A BTG/Nexus, divulgada em 8 de setembro, mostrou Flávio com 46% contra 45% de Lula no segundo turno. Já a Quaest, divulgada em 14 de setembro, registrou Flávio com 42% contra 40% de Lula, a primeira vantagem numérica do senador sobre o presidente na série do instituto desde abril, novamente em empate técnico.

Corrupção e Lulinha permearam campanha

A campanha também conviveu com as denúncias envolvendo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho mais velho do presidente. A Polícia Federal abriu três inquéritos para apurar suspeitas de tráfico de influência e corrupção, a partir de elementos encontrados nas investigações sobre fraudes em benefícios do INSS.

Entre os pontos apurados estão a relação de Lulinha com a lobista Roberta Luchsinger, sua proximidade com Antônio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS, e viagens pagas por pessoas ligadas ao esquema.

A defesa nega irregularidades e questiona as provas e as conclusões da PF. O caso recolocou as acusações de corrupção no centro da campanha de Lula, que afirmou que o filho deveria se defender e que não haveria interferência do governo nas investigações.

Nas duas últimas semanas, a PF passou a investigar Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, em três inquéritos, incluindo suspeitas de tráfico de influência.

Em agosto, Lula afirmou que nunca tinha visto nem conhecido Roberta, mas fotos publicadas pela própria lobista passaram a mostrar os dois juntos em diferentes ocasiões. Na reta final, novas mensagens ainda apontaram que Roberta dizia frequentar o Planalto e viajar em avião da FAB com Lulinha.

Metodologia das pesquisas citadas:

Quaest — 14 de setembro: 2.004 eleitores entrevistados presencialmente entre 10 e 13 de setembro, em todo o país; margem de erro de 2 pontos percentuais; confiança de 95%; contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo; registro TSE BR-03607/2026.

Datafolha — 8 a 10 de setembro: 2.002 eleitores em todo o país; margem de erro de 2 pontos; confiança de 95%; contratada pela Folha de S.Paulo e pelo Grupo Globo; registro TSE BR-01833/2026.

BTG/Nexus — 4 a 7 de setembro: 2.002 eleitores; margem de erro de 2 pontos; levantamento por telefone; registro no TSE e contratação pelo BTG.

Vox Brasil — 25 a 27 de agosto: 2.100 eleitores em todo o país; margem de erro de 2,15 pontos percentuais; confiança de 95%.

Futura/Apex — 7 a 11 de abril: 2.000 entrevistados em todo o país, por entrevistas telefônicas assistidas por computador; margem de erro de 2,2 pontos; confiança de 95%; registro TSE BR-08282/2026; pesquisa realizada com recursos próprios do instituto.

Datafolha — 2 e 3 de outubro: 4.006 eleitores em 122 municípios; margem de erro de 2 pontos; confiança de 95%; registro TSE BR-01708/2026.

Quaest — 2 e 3 de outubro: 3.702 eleitores; margem de erro de 2 pontos; confiança de 95%; contratada pela TV Globo e pelo jornal O Globo; registro TSE BR-02197/2026. O levantamento utilizou modelo de eleitor provável.

Créditos: Gazeta do Povo

Foto: André Coelho/EFE

Últimas Notícias

Líderes internacionais repercutem vitória de Flávio Bolsonaro no primeiro turno

Com Flávio Bolsonaro (PL) liderando a disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), figuras como Donald Trump, Elon Musk e Javier Milei utilizaram as redes sociais para comentar a vantagem da direita e projetar o futuro das relações diplomáticas

EUA retiram bombardeiros de base no Reino Unido após ameaça terrorista

Segundo a agência Associated Press, uma autoridade do Pentágono disse que tais aviões de combate foram redistribuídos para suas bases de origem nos Estados Unidos

Êxito da direita no 1º turno enfraquece pressão de Lula sobre o STF

A pressão de Lula e do PT, por exemplo, para abrir uma investigação sobre uma suposta interferência estrangeira nas eleições – no caso, do governo dos Estados Unidos para favorecer Flávio – tende a perder tração

Siga nos

Leia também

Com Flávio Bolsonaro (PL) liderando a disputa contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT), figuras como Donald Trump, Elon Musk e Javier Milei utilizaram as redes sociais para comentar a vantagem da direita e projetar o futuro das relações diplomáticas

Segundo a agência Associated Press, uma autoridade do Pentágono disse que tais aviões de combate foram redistribuídos para suas bases de origem nos Estados Unidos

A pressão de Lula e do PT, por exemplo, para abrir uma investigação sobre uma suposta interferência estrangeira nas eleições – no caso, do governo dos Estados Unidos para favorecer Flávio – tende a perder tração

O bloqueio ocorre após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) assinar uma medida provisória proibindo a operação das plataformas de apostas online, a apenas nove dias do primeiro turno da eleição

O resultado do primeiro turno passou a concentrar as atenções do mercado, que agora recalibra suas apostas para o segundo turno e para os possíveis efeitos de uma eventual mudança de governo sobre a economia brasileira

Os serviços haviam sido interrompidos na sexta-feira (2), devido a um alerta por questões de segurança. A motivação foi uma ameaça de atentado feita nas redes sociais

Essa é a primeira vez desde o início do mês de setembro que o índice volta a superar este indicador, após quatro semanas em queda, e acima do teto da meta de 4,5%

Rolar para cima

Inscrição feita com sucesso!