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Economia
2027 VAI SER DIFERENTE?
O mercado financeiro vive de antecipar movimentos. Os gestores olham para onde as coisas estão indo, tomam suas decisões e o mercado anda
João Fernando Silva
16 de outubro de 2026
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Economia
2027 VAI SER DIFERENTE?
O mercado financeiro vive de antecipar movimentos. Os gestores olham para onde as coisas estão indo, tomam suas decisões e o mercado anda
João Fernando Silva
16 de outubro de 2026
O mercado financeiro vive de antecipar movimentos. Os gestores olham para onde as coisas estão indo, tomam suas decisões e o mercado anda. Vimos a bolsa bater recordes na semana depois das eleições, com alta forte no índice principal e disparada das empresas de menor capitalização, que dependem justamente de capital para crescer. Tudo isso reflete a sinalização de uma troca no comando do país.
Aí muita gente se confunde e começa a espalhar aquele discurso raso de que a subida da bolsa é festa da Faria Lima contra os mais pobres.
É preciso entender uma coisa básica: para existir riqueza em uma sociedade, nós precisamos das empresas e de quem investe nelas. Riqueza não surge do nada. Quando o mercado financeiro sinaliza melhora, o investidor olha para a frente e passa a aceitar emprestar dinheiro mais barato para o país.
A situação do Brasil é simples de entender. Imagina uma empresa que cresce 2% ao ano, mas gasta 9% da sua receita para conseguir esse crescimento. A conta não fecha de jeito nenhum. Se o dono dessa empresa for ao banco pedir mais empréstimo, o gerente vai olhar os números e negar, ou então vai cobrar um juro absurdamente alto por causa do risco. É exatamente o que acontece com a gente. Quando o mercado percebe a mudança no comando da empresa, a expectativa muda. O investidor entende que o novo gerente vai segurar as contas, cortar a festa de dinheiro distribuído a rodo sem gerar valor e focar no crescimento real.
O dinheiro não tem lado, não tem partido e não segue ideologia. O dinheiro só segue o fluxo. Vemos tanta gente na internet opinando sem estudar o básico. Surgem propostas absurdas de baixar a taxa de juros na canetada para um nível irreal. Se fizerem uma loucura dessas, o investidor pega o dinheiro e vai embora. Hoje, os maiores países do mundo pagam juros elevados. Por qual motivo um investidor estrangeiro aceitaria ganhar menos para deixar o dinheiro em um país arriscado? Ele simplesmente retira o capital. É uma conta que qualquer um consegue fazer. Se você tem dois amigos pedindo dinheiro emprestado e um deles está devendo até o pescoço, é evidente que você vai cobrar mais caro para emprestar para ele devido ao risco.
Mais da metade do dinheiro que movimenta a nossa bolsa vem de fora. Quando há uma sinalização positiva de mudança de rumo econômico, o gringo é o primeiro a entrar comprando ações de grandes bancos e empresas. Nossos ativos estão muito descontados em relação ao histórico. É claro que no mercado existe aquele ditado de que no final da feira tudo fica barato, mas boa parte do que sobra é podre. No entanto, quando surge a perspectiva real de que o país vai voltar a prezar pelo trabalho e pela criação de riqueza, em vez de focar na divisão do dinheiro dos outros, o capital externo vem forte.
O Brasil hoje funciona como uma mola comprimida e tem um potencial gigantesco. Lá fora, inclusive, nosso país é visto como uma proteção importante contra as incertezas do setor de tecnologia mundial, justamente por termos fartura de commodities e energia abundante e renovável.
Mas assistencialismo sem limites e sem prazo para acabar tornou-se um obstáculo direto para o crescimento. O ser humano reage aos incentivos que recebe. Quanto mais amparado por auxílios estatais sem exigências, menos incentivo a pessoa tem para buscar oportunidade e crescer pelo próprio esforço. O auxílio deveria servir apenas para casos de incapacidade real ou situações temporárias. Transformar assistência em programa definitivo serve apenas para angariar votos.
Países que apostaram no modelo de bem-estar social garantido pelo Estado agora enfrentam déficits astronômicos, enquanto nações que abriram a economia, cortaram gastos e incentivaram o trabalho estão atraindo bilhões em investimentos e crescendo em ritmo acelerado. Não existe sociedade na história que tenha prosperado na base de benesses e distribuição de renda sem produção de riqueza. O que constrói o futuro de um país é o trabalho, a responsabilidade com os gastos públicos e a liberdade para produzir.
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