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Lula tenta construir na ONU última narrativa com Trump para a exploração eleitoral

O petista abre nesta terça-feira (22) a Assembleia Geral das Nações Unidas, logo antes do colega americano. Essa pode ser também sua despedida da cerimônia

Gazeta do Povo

22 de setembro de 2026

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Lula tenta construir na ONU última narrativa com Trump para a exploração eleitoral

O petista abre nesta terça-feira (22) a Assembleia Geral das Nações Unidas, logo antes do colega americano. Essa pode ser também sua despedida da cerimônia

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A poucos dias do primeiro turno da eleição, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) desembarcou em Nova York para a última investida para explorar eleitoralmente a conturbada relação com Donald Trump. O petista abre nesta terça-feira (22) a Assembleia Geral das Nações Unidas, logo antes do colega americano. Essa pode ser também sua despedida da cerimônia.

Lula avisou antes de viajar que vai aproveitar a proximidade protocolar para avisar pessoalmente a Trump que não aceitará ingerência dele na eleição brasileira. Não há encontro bilateral confirmado, mas os dois estarão no mesmo ambiente e poderão repetir o contato informal do ano passado. Para o brasileiro, a distensão poderá ser prova de diálogo com Washington.

A relação entre Lula e Trump atravessou meses de fortes atritos. O Palácio do Planalto confrontou a Casa Branca em temas comerciais, geopolíticos, partidários e institucionais, enquanto Lula alternou críticas públicas ao presidente americano com declarações de que preserva relação pessoal capaz de manter abertos todos os canais diplomáticos de negociação.

A história começou justamente na sede das Nações Unidas, em setembro de 2025. Trump disse ter havido uma “química” entre ambos após breve contato. No mês seguinte, se encontraram na Malásia e, em maio deste ano, tornaram a conversar em Washington, sem, contudo, encerrar divergências. Com breve pausa, o tarifaço americano contra o país voltou um ano depois.

Da “química” entre os dois presidentes à crise histórica na relação bilateral

A aproximação pessoal não impediu a deterioração política. Os Estados Unidos elevaram tarifas sobre lista de produtos brasileiros e relacionaram medidas ao tratamento dado ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), à atuação da Justiça brasileira e às restrições impostas no país às plataformas digitais. A tensão avançaria depois, ao se atrelar ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Em julho de 2025, a Casa Branca aplicou pesadas sanções financeiras e administrativas da Lei Global Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, o STF, e depois à mulher dele, Viviane Barci Moraes, por agressões a direitos humanos de cidadãos brasileiros e americanos. Ambos deixaram a lista de sancionados em dezembro, após meses de atritos entre os dois países.

No pior momento de 200 anos de relações diplomáticas, outros ministros da Corte também tiveram vistos americanos cancelados e autoridades do governo Trump passaram a criticar decisões do Judiciário brasileiro. Lula reagiu recorrendo sistematicamente ao discurso de defesa da soberania e da não interferência externa, tema logo levado à campanha de reeleição.

O componente político-partidário ganhou novo patamar com a divulgação recente de avaliação da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre riscos relacionados à atuação americana no processo eleitoral de 2026. A análise do órgão ligado à Presidência da República não representa comprovação de interferência dos EUA no pleito deste ano, mas ajuda a engajar a esquerda.

Lula faz desafio a Trump na ONU de olho no impacto na campanha eleitoral

É nesse ambiente que Lula chega ao plenário dos países. O discurso deverá enfatizar multilateralismo, direito internacional e soberania, assuntos já abordados nas participações anteriores dele. Para analistas, a proximidade do primeiro turno das eleições, no primeiro domingo de outubro, faz da tribuna internacional também um palco voltado à repercussão doméstica.

As Nações Unidas oferecem assim ao presidente um dos últimos grandes eventos internacionais antes do pleito. A decantada defesa da soberania permite conectar atritos com Washington à campanha, enquanto Lula tenta mostrar que pode confrontar Trump como sendo o governo deste um aliado do rival Flávio Bolsonaro (PL), mas sem romper diálogo com a Casa Branca.

Lula precisa equilibrar sua narrativa de defesa da autonomia brasileira sem inviabilizar a distensão com os EUA. Ambos os governos têm interesses estratégicos que suplantam divergências políticas e mantêm canais de contato. O petista não conseguiu barrar classificação de facções criminosas como terroristas, mas espera acordo para a exploração de terras raras.

O simbolismo será inevitável: Lula falará antes de Trump. Um cumprimento, conversa ou referência pública entre ambos terá repercussão imediata no Brasil. A Assembleia Geral das Nações Unidas fecha, assim, o ciclo iniciado pela “química” de 2025 e dá a Lula uma última narrativa internacional antes das urnas. A fotografia pode registrar a sua saída definitiva da cena global.

Créditos: Gazeta do Povo

Foto: Jonas Roosens/EFE/EPA / Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

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